16 filmes religiosos polêmicos para uma Semana Santa diferente

Dogma; O Mestre; O Crime do Padre Amaro; Dúvida; Noé; As Bruxas de Salém

Dogma (Dogma, 1999) de Kevin Smith

A trama conta a história de dois anjos que foram banidos do paraíso por Deus e ficam presos no estado de Wisconsin. Eles ganham uma chance de salvação, mas logo uma conspiração entre o céu e inferno é revelada. Uma fantástica mistura de sarcasmo, teologia e profetas doidões, a obra de humor negro é mais uma reflexão sobre os absurdos da religião organizada do que um convite para abraçar o pecado.

Com um humor ácido e provocante, a obra apresenta famosos personagens da Bíblia de uma forma como nunca vimos antes: Deus é uma mulher; Jesus era negro, Anjos são sacanas e a última descente de Deus e Jesus trabalha numa clínica de abortos (Linda Fiorentino). No elenco recheado há Ben Affleck (A Soma de Todos os Medos), Matt Damon (Bravura Indômita), Alan Rickman, Chris Rock, Jason Lee, Salma Hayek e Alanis Morrissette.

O Mestre (The Master, 2012) de Paul Thomas Anderson

Após a Segunda Guerra Mundial, o marinheiro Freddie Quell (Joaquin Phoenix, indicado ao Oscar de melhor ator) tenta reconstruir sua vida. Traumatizado, sofre com ataques de ansiedade e não consegue controlar seus impulsos sexuais.

Ao acaso, conhece Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffman, concorreu ao Oscar de coadjuvante), uma figura carismática e líder de uma organização religiosa conhecida como ‘A Causa’. Reticente no início, se envolve cada vez mais com ‘o mestre’ e suas ideias, que inclui vidas passadas, cura espiritual e controle de si mesmo.

A história tem muitos pontos em comum com a origem da Cientologia, polêmica religião dos astros de Hollywood. Na pele da esposa do “mestre”, Amy Adams também concorreu ao Oscar de coadjuvante.

O Crime do Padre Amaro (El crimen del padre Amaro, 2002) de Carlos Carrera

Política e paixões sexuais com uma bela garota (Ana Claudia Talancón) ameaçam corromper um jovem sacerdote (Gael García Bernal, do filme No), recém-ordenado em uma pequena cidade mexicana. O drama religioso e polêmico é baseado em um livro do escritor português Eça de Queirós, publicado em 1875, e denuncia a corrupção dos padres, que manipulam a população em favor da elite, e o celibato clerical. Trama incita também uma discussão sobre o papel da fé e a moralidade. Indicado ao Oscar e Globo de Ouro de filme estrangeiro (México).

Dúvida (Doubt, 2008) de John Patrick Shanley

Você acreditaria na palavra de um carismático padre que sempre pregou o poder da dúvida em nossas vidas? EUA, 1964, e a igreja ainda influencia e representa boa parte do sentimento da população americana, em qualquer classe.

Alertada por uma inocente irmã (Amy Adams, indicada ao Oscar de coadjuvante), a veterana Aloysios (Meryl Streep, 15ª indicação ao Oscar) – preenchida apenas com um sentimento irascível de inquisidora -, duvida que um garoto negro esteja sendo apenas protegido e educado pelo padre Flynn (Philip Seymour Hoffman, concorreu ao Oscar de atuação) – hierarquicamente superior dentro da paróquia. O que estaria acontecendo seria um caso clássico de pedofilia.

Viola Davis (de Os Suspeitos e Histórias Cruzadas), a mãe da criança, também concorreu ao Oscar de coadjuvante, assim como a fita teve seu roteiro adaptado (escrito pelo próprio diretor, John Patrick Shanley, baseado em sua peça de teatro) nomeado também.

Noé (Noah, 2014) de Darren Aronofsky

Noé (Russell Crowe, Oscar de melhor ator por Gladiador) é filho de Enoque, neto de Matusalém (Anthony Hopkins, da cine-bio Hitchcock), pai de Sem, Cã e Jafé, descendentes de Sete, o irmão ‘bom’ de Caim. A ‘parte boa’ da família está mais próxima do Criador, mas sem nunca falar com Ele, que envia sinais através dos sonhos e ações da terra, não dos céus. Em um mundo dominado pelo pecado e contra um grupo de opositores, Noé recebe uma missão divina: construir uma arca para salvar toda a criação de Deus de um dilúvio.

De uma passagem bíblica a obra passa para um drama ambientalista. O roteiro usa o texto do Velho Testamento como arena para uma disputa familiar, batalha épica e delírios da ficção científica. O tom é soturno e cabe a Noé lidar com a dor de cumprir as ordens do Criador, mesmo sabendo que, ao fazê-lo, está oferecendo seus pares ao sacrifício.

No elenco Jennifer Connelly (Ligados pelo Amor), Emma Watson (Bling Ring – A Gangue de Hollywood), Logan Lerman e Ray Winstone.

As Bruxas de Salém (The Crucible, 1996) de Nicholas Hytner

Fé e convicção podem ser usadas para o bem, mas aqui é uma ilustração profunda do dano que crenças dogmáticas podem causar se não forem controladas. Há claros paralelos entre o medo de ser acusado de comunista em tempos de Macartismo nos EUA dos anos 40/50, a Guerra Fria e os julgamentos/caça as bruxas de Salém. Qualquer desvio em ideais praticados, supostamente puros, eram condenados com punições severas e sem perdão.

Drama indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado, com Daniel Day Lewis, Winona Ryder (O Homem de Gelo) e Joan Allen (indicada ao Oscar de coadjuvante).

A Festa da Menina Morta; A Paixão de Cristo; O Código Da Vinci; Joana D´Arc; O Exorcista; O Padre

A Festa da Menina Morta (Idem, Brasil, 2009) de Matheus Nachtergaele

A fé através de crenças não religiosas é o tema do filme nacional. Há 20 anos uma população ribeirinha do alto Amazonas comemora a Festa da Menina Morta. O evento celebra o milagre realizado por Santinho (Daniel de Oliveira), que após o suicídio da mãe recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida.

A menina jamais foi encontrada, mas o tecido rasgado e manchado de sangue passa a ser adorado e considerado sagrado. A cada ano as pessoas visitam o local para rezar, pedir e aguardar as “revelações” da menina, que através de Santinho se manifestam no ápice da cerimônia.

A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ, 2004) de Mel Gibson

Falado em aramaico e latim, o drama versa sobre as 12 últimas horas de Jesus Cristo, da agonia no Jardim das Oliveiras, passando pela traição de Judas, até a sua crucificação. A versão dos acontecimentos é recriado de maneira muito realista e mais choca que emociona, exatamente pela seu alto grau de violência e crueza das imagens.

Estrondoso sucesso de bilheteria, arrecadou mais de U$ 611,8 milhões ao redor do mundo e possui a maior bilheteria doméstica (370 milhões) na história para um filme com censura R (menores de 17 anos só poderão assistir ao filme acompanhados de pais ou responsáveis).

O Código Da Vinci (The Da Vinci Code, 2006) de Ron Howard

Um assassinato dentro do Louvre e pistas em pinturas de Da Vinci levar à descoberta de um mistério religioso protegido por uma sociedade secreta por 2 mil anos – o que poderia abalar os alicerces do cristianismo. Causou polêmica ao questionar a divindade de Jesus Cristo e seu suposto romance com Maria Madalena, além de questionar grandes organizações católicas, como o Opus Dei e a sociedade secreta Priorado de Sião. No elenco Tom Hanks, Audrey Tatou, Jean Reno, Ian McKellen, Paul Bettany e Alfred Molina.

Joana D´Arc de Luc Besson (The Messenger: The Story of Joan of Arc, 1999) de Luc Besson

Em 1412, nasce em Domrémy, França, uma menina chamada Joana (Milla Jovovich). Ainda jovem, ela desenvolve uma religiosidade tão intensa que a fazia se confessar algumas vezes por dia. Eram tempos árduos, pois a Guerra dos Cem Anos com a Inglaterra se prolongava desde 1337. Em 1420, Henrique V e Carlos VI assinam o Tratado de Troyes, declarando que após a morte de seu rei a França pertencerá a Inglaterra. Porém, ambos os reis morrem e Henrique VI é o novo rei dos dois países, mas tem poucos meses de idade e Carlos (John Malkovich), o delfim da França, não deseja entregar seu reino para uma criança. Assim, os ingleses invadem o país e ocupam Compiègne, Reims e Paris.

Até que surge Joana que, além de se intitular a “Donzela de Lorraine” tinha uma determinação inabalável e dizia que estava em uma missão divina, para libertar a França dos ingleses. Sua adoração à Deus é tanta que seu destino pode estar selado ao confundir sua crença com bruxaria. De Luc Besson, diretor do sucesso Lucy (2014).

O Exorcista (The Exorcist, 1973) de William Friedkin

Uma atriz (Ellen Burstyn, indicada ao Oscar de melhro atriz) vai gradativamente tomando consciência que a sua filha de 12 anos (Linda Blair, concorreu ao Oscar de coadjuvante) está tendo um comportamento completamente assustador. Deste modo, ela pede ajuda a um padre, que também um psiquiatra, e este chega a conclusão de que a garota está possuída pelo demônio. Ele solicita então a ajuda de um segundo sacerdote, especialista em exorcismo (Max von Sydow).

Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme (drama) e diretor, a fita de horror concorreu ao Oscar de melhor filme, e venceu a estatueta de roteiro adaptado.

O Padre (Priest, 1994) de Antonia Bird

Explora vários dos preconceitos religiosos ao tocar em temas polêmicos como o celibato, o incesto, o abuso sexual, o segredo do confessionário e principalmente o homossexualismo. A trama mostra a relação ideológica entre dois clérigos, o Padre Greg (Linus Roache) e o seu colega mais experiente, o Padre Matthew (Tom Wilkinson). Depois de chegar à nova paróquia de Liverpool, Greg fica chocado depois de saber que Matthew ignora o celibato e dorme sem problemas com a empregada. Por outro lado, Greg escolhe satisfazer seus desejos carnais ao encontrar a felicidade no bar gay local, na pele de Graham (Robert Carlyle). Prêmio de melhor filme de estreia no Festival de Berlim.

A Última Tentação de Cristo; En Nome de Deus; Je vous salue, Marie; A Vida de Brian

A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, 1988) de Martin Scorsese

de uma ótica um pouco diferente do que é contada na Bíblia, a vida de Jesus Cristo (Willem Dafoe), é recontada, numa jornada pela vida e como ele enfrenta as lutas por todos os seres humanos, além de sua tentação final e crucificação. O drama destila sobre o desejo humano de Jesus e a sua relação carnal com Maria Madalena (Barbara Hersey).

Na trama há espaço também para o relacionamento com seus apóstolos, Judas (Harvey Keitel) e Pôncio Pilatos (David Bowie), e claro, seus sacrifícios. Drama concorreu ao Oscar de melhor direção (Martin Scorsese) e ganhou o prêmio da crítica no Festival de Veneza.

Em Nome de Deus (The Magdalene Sisters, 2002)

Um drama pesado sobre o abuso sacerdotal na Irlanda dos anos 60. Três jovens mulheres católicas irlandesas acabam sob a custódia do convento Madalena, que recebe meninas rebeldes. Entre espancamentos e estupros que estão sujeitas nas mãos de freiras sádicas e padres lascivos, há a brutalidade da sociedade ostensivamente temente a Deus fora dos muros do convento.

Je vous salue, Marie (Je vous salue, Marie, 1985) de Jean-Luc Godard

Maria (Myrien Roussel) é uma estudante que joga basquete e trabalha no posto de gasolina de seu pai. José (Thierry Rode) é um jovem motorista de táxi. Ao saber da gravidez de Maria, José a acusa de traição, e o anjo Gabriel (Philippe Lacoste) tenta convencê-lo para que aceite o filho, pois ambos enfrentarão planos divinos.

Em paralelo, um professor de ciências que estuda a origem da vida na Terra tem um caso com uma de suas alunas. Através das duas histórias distintas, é uma versão bem diferente para a concepção da Virgem Maria. Filme forte, polêmico e interrogativo, que mostra a difícil convivência entre o corpo e o espírito.

A Vida de Brian (Monty Python´s Life of Brian, 1979) de Terry Jones

Sua trama narra a história de Brian, que nasceu no dia do Natal original, bem próximo a porta do estábulo onde o menino Jesus nasceu. E assim, ele passa a sua vida inteira a ser confundido com “o” messias. A comédia britânica da trupe Monty Python foi proibido ou classificado X (a mesma que recebem filmes pornôs) por dezenas de autoridades locais no Reino Unido, Irlanda e Noruega.

A sátira religiosa foi considerada uma blasfêmia pela comunidade cristã e despertou protestos também em em Nova York. Uma de suas cenas mais controversas é a crucificação do personagem-título, que foi pensado para ser um zombamento ao sofrimento de Jes