Crítica: 5º “Missão: Impossível” é o melhor da franquia com trama inteligente e ação grandiosa

Em 1996 entrei em um cinema para ver Tom Cruise literalmente por um fio sobre um laser, enquanto uma gota de suor quase o entregava em uma ação espetacular de “Missão: Impossível”. De tão bom, repeti a experiência dias depois. Adaptação da série de TV dos anos 60 e 70, a fita de espionagem assinada por Brian DePalma foi um grande sucesso daquele ano. E merecido.

Em 2000 veio o baque de um segundo capítulo quase romântico e problemático, assinado pelo esteta da ação, John Woo, mas os número altos do caixa mantiveram a franquia viva. J.J. Abrams assumiu o terceiro filme em 2006, e entregou uma obra sensacional, que trazia como vilão Philip Seymour Hoffman, e introduziu à trama um alívio cômico, Simon Pegg. A bilheteria foi ok, e o sinal amarelo estava ligado.

Protocolo Fantasma (de Brad Bird) estreou em 2011 e surpreendeu por completo com sua trama de espionagem e cenas de ação estrondosas – que inclui até a destruição do Kremlin. Jeremy renner se juntou à equipe, Pegg continuou a fazer o sorriso aparecer e Cruise, mais uma vez estava por cima.

O público o transformou como o capítulo mais lucrativo e devolveu o sucesso à cinessérie, e um novo Missão: Impossível era questão de tempo. E foi.

Ufa. E já fazem quase 20 anos. E Tom Cruise continua mandando bem na pele de Ethan Hunt, agente da IMF, que está à frente das missões mais impossíveis do cinema. Ele já dispensou dublês elevado em cordas (1996), escalando montanhas (2000), grudado do lado de fora de um prédio (2011) e agora abre o novo Missão: Impossível – Nação Secreta (Mission: Impossible – Rogue Nation, 2015) pendurado em um avião durante uma decolagem! Sim, é ele mesmo.

Na trama, Ethan Hunt (Tom Cruise) descobre que o suposto Sindicato é real, e a missão da organização secreta composto por ex-agentes é destruir o IMF. Para combater a nação secreta, o agente convoca sua equipe de volta (Jeremy Renner, Simon Pegg e Ving Rhames). E mesmo contra a vontade do diretor da CIA (Alec Baldwin), a missão extra-oficial de Hunt acaba por cruzar também com uma agente do serviço de inteligência britânica (Rebecca Ferguson).

Não há como discutir muito do filme sem entregar alguma informação, portanto vou me conter nos comentários para deixar a experiência de assisti-lo ainda mais saborosa. A personalidade da franquia – baseada na série de TV, continua firme. As máscaras, o plano projetado em cada planejamento, o tom irônico, e com uma história tensionada entre a ação e a trama inteligente impressionam nessa quinta parte.

Roteirista vencedor do Oscar por Os Suspeitos (1995), Christopher McQuarrie fechou parceria com Tom Cruise ao assinar Operação Valquíria (2008) e No Limite do Amanhã (2014). Com o astro, acumulou as funções de roteiro e direção no apenas OK Jack Reacher: O Último Tiro (2012). Mas no quinto Missão Impossível, sua evolução enquanto diretor salta aos olhos de forma surpreendente.

Vejo proximidade no ponto de partida com o primeiro filme – para relembrar, o chefe da IMF (Jon Voight) simula sua morte para vender e expor uma lista de agentes da IMF para uma organização criminosa – e até com 007 Contra Skyfall, que também teme que uma lista de agente possam ser descobertos. Mas o alto nível de imprevisibilidade do vilão – frio, rouco e perigoso (Sean Harris) – e entrada de uma antagonista surpresa (o frescor chamado Rebecca Ferguson) elevam o tom da brincadeira para uma tensão constante.

Além da trama bem urdida, numa franquia com tantas sequências de ação maravilhosas, é notável a capacidade de reinvenção do roteiro da quinta parte. As ações impossíveis (destaque para o mergulho sem tanque de oxigênio), fugas e perseguições ensandecidas (principalmente as de motos, completamente incríveis), sequências muito bem resolvidas (loja de vinil/ópera Turandot/atendado/caixas de vidro) e uma aflição sem fim em uma negociação final que envolve uma bomba amarrado ao peito e a troca por um pendrive. Com direito até a um silêncio que precede o esporro e um tiroteio angustiante.

Se em 1996 eu testemunhei o nascimento da franquia de forma espetacular que não tardei em ver o filme outras vezes no cinema, no mínimo farei o mesmo pelo quinto filme estrelado por Tom Cruise. Só posso aplaudir Missão: Impossível – Nação Secreta, cravar a obra como o melhor da série e um dos melhores filmes do ano. Sem medo de ser feliz.