Crítica: “Batman Vs. Superman” é uma aventura que fica no quase

Batman Vs. Superman – A Origem da Justiça (Batman v. Superman: Dawn of Justice, 2016) de Zack Snyder

Christopher Nolan encantou fãs dos quadrinhos e fãs do cinema ao entregar uma trilogia (Batman Begins, 2005; O Cavaleiro das Trevas, 2008; O Cavaleiro das Trevas Ressurge, 2012) perfeita. Após o fracasso comercial e artístico de Superman – O Retorno (2006), a Warner conseguia enxergar com a nova trilogia, a nova possibilidade de produzir um universo expandido dos heróis da DC. Com isso, mais um retorno do filho de Krypton era o próximo passo.

O escolhido para a missão foi Zack Snyder, que vinha escorado da boa bilheteria de 300 (2007) e da corajosa adaptação de uma graphic novel, Watchmen (2009). E foi com o irregular O Homem de Aço (2013), que a DC mostrou que continuava viva no cinema.

Com o sucesso, Zack Snyder foi mantido no cargo para expandir o universo da DC, mas com uma ajuda certeira. Figura solidificada com os filmes de Nolan, a boa lembrança de Batman na tela grande permanecia na memória do grande público. E por isso, o Homem Morcego foi convocado para deixar a próxima aventura uma posta certeira.
Faço esse preâmbulo para justificar que, Batman Vs. Superman – A Origem da Justiça (Batman v. Superman: Dawn of Justice, 2016) é uma aventura que fica no quase.

Apesar das imagens grandiosas (e vazias), da trilha sonora forte (de Hans Zimmer), e da destruição espantosa (que parece até herança de Michael Bay), Zack Snyder não é – e nunca será – Christopher Nolan. Pode até ser uma boa aventura de super-heróis de gibis, traduzido para o cinema de puro espetáculo, mas um grande filme não é. Apenas em sua duração, que batem as 2h31 minutos.

Bruce Wayne encontra Clark Kent (Foto: Warner)

A trama se inicia revivendo o confronto entre Superman (Henry Cavill) e Zod (Michael Shannon) em O Homem de Aço (2013). A destruição de Metrópolis e os milhares de mortos fez com que a população mundial se dividisse acerca da existência de extra-terrestres na Terra. Enquanto muitos consideram o Superman como um novo deus, há aqueles que consideram extremamente perigoso que haja um ser tão poderoso sem qualquer tipo de controle.

Temendo as ações não controladas de desse super-herói alienígena com poderes de Deus, o vigilante de Gotham City assume o papel de salvador de Metrópolis, enquanto o mundo argumenta sobre o tipo de herói que realmente precisa. E enquanto Batman e Superman entram em conflito, a humanidade é ameaçada por uma nova ameaça criada por Lex Luther (Jesse Eisenberg), que surge para provocar o dia do juízo final.

Precisa apresentar pela enésima vez a morte dos pais de Bruce Wayne? Precisa criar uma série de sub-tramas para resumir em apenas dois confrontos finais o filme todo? Há o problema Lois & Clark também, com sequências desnecessárias (e até repetidas, como a ação do Oriente Médio). O filme demora 1h10 minutos para ter a sua primeira (e única) surpresa (no Capitólio). Culpa do roteiro? Não. Da massiva campanha da Warner que entregou ótimas sequências picotadas em três gigantescos trailers. O encontro entre Bruce Wayne e Clark Kent é um deles. O primeiro têti-a-têti entre os heróis, idem. A entrada da Mulher Maravilha, também.

Mulher Maravilha: uma maravilha de mulher (Foto: Warner)

Assim como toda a produção, o roteiro de Chris Terrio (Argo, 2012) e David Goyer (Trilogia Batman e O Homem de Aço) tem também seus erros e acertos. Os conflitos dos heróis são todos calcados em que cada um acredita, não lado certo ou errado, existem suas motivações e pontos de vista diferentes. Que é entendido posteriormente que na verdade são complementares.

Ben Affleck é um dos acertos da surperprodução, pondo fim às piores expectativas possíveis. De forma serena, vai do vigilante noturno atacado por pesadelos a um milionário que desfila charme enquanto investiga Lex Luthor e Superman. Já Henry Cavill é o bom mocismo em pessoa, que entrega uma interpretação na medida certa.

Contudo, a maior surpresa positiva da trama é a inclusão natural da Mulher maravilha (Gal Gadot, segura e elegante). Bem diferente dos mini-clips que inserem Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fischer) e Flash (Ezra Miller), que também força a aparição em uma sequência de pesadelo muito mal resolvida. Como criar a Liga da Justiça em cinco minutos? A resposta está aqui e não me agradou.

Doonsday: o dia do juízo final chegou (Foto: Warner)

Na outra ponta da justiça há o Lex Luthor criado por Jesse Eisenberg. Humm. Completamente psicótico, hummm, e cheio de tiques, hummm, o vilão bebe direto na fonte ensandecida do Coringa de O Cavaleiro das Trevas (2008). Hummm. Indicado ao Oscar por A Rede Social (2011), hummm, Eisenberg se joga de cabeça em sua persona vilanesca. E funciona, apesar de não impressionar como a interpretação oscarizada de Heath Ledger, hummm.

Para complementar Amy Adams como Louis Lane (sofrida demais), Jeremy Irons é o mordomo (ou seria um estrategista?) Aldred, Laurence Fishburne o editor-chefe do Planeta Diário, e Holly Hunter como uma Senadora em busca de respostas em sua cruzada de interrogações contra Superman.

O grande problema de Batman Vs. Superman é Zack Snyder. O cineasta finalmente põe frente a frente Batman e Superman com zero sutileza. Os confrontos são resumidos em efeitos especiais e o vilão maior não envolve nenhum tipo de surpresa ao público. Sua busca incessante pelo máximo de espetáculo e ação, se traduz em uma aventura que tem seus momentos, mas que não encanta ou emociona. E pouco surpreende. Zack Snyder definitivamente não é Christopher Nolan.