Crítica: “Com Amor, Simon” é clássico adolescente com história inspiradora

“Com Amor, Simon” (Lovem Simon) de Greg Berlanti

Em um momento crucial para o cinema, no qual movimentos ganham força e a questão da representatividade nas telas se tornou uma demanda global, Hollywood abraçou de uma vez por todas a temática LGBT.

Se por um lado já tivemos grandes e premiados filmes de arte (ou mais sérios), como os recentes Moonlight (2016) e Me Chame Pelo Seu Nome (2017), ainda faltava algo voltado para a audiência jovem e que acertasse em cheio o público mainstream. “Com Amor, Simon” chega para preencher essa lacuna se mostra extremamente bem sucedido na tarefa.

Sem o intuito de levantar uma causa ou gerar discussões o filme se apresenta como uma obra genuinamente doce e inocente, não se valendo polêmicas ou controvérsias, mesmo com alta carga dramática. Baseado no livro de Becky Albertalli, é também inspirado pelas produções adolescentes dos anos 80, em especial as de John Hughes (Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco). A diferença aqui é o contexto atualizado, com personagens da era internet e redes sociais.

Além de enfrentar os dilemas típicos dos adolescentes, em especial a descoberta da identidade e do primeiro amor, Simon precisa sair do armario e encontrar a si mesmo. O personagem, interpretado com enorme carisma por Nick Robinson, é um retrato realista do tipico adolescente americano, mas acima de tudo é alguém com quem qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, de qualquer idade e de qualquer orientação sexual, pode se identificar. Seus dilemas são tão humanos como os de qualquer outro. E o filme faz se valer dessa empatia para nos fazer emocionar, rir e chorar.

O diretor Greg Berlanti (O Clube dos Corações Partidos, 2000; e Juntos Pelo Acaso, 2010) segue os passos de Patty Jenkins (Mulher Maravilha) e Ryan Coogler (Pantera Negra) entregando uma produção extremamente relevante em pontos como inclusão, diversidade, igualdade e representatividade, sendo ao mesmo tempo ricamente vibrante, cativante e divertida.

O roteiro é doce, inteligente e inspira o espectador a se sentir orgulhoso de si mesmo, mostrando que só podemos ser completos e felizes sendo exatamente quem somos.

Cheio de vida, com uma trilha sonora sensacional, um elenco apaixonante e uma história inspiradora, “Com Amor, Simon” está destinado a ser um daqueles clássicos adolescentes que todos deveriam ver porque nos transforma como seres humanos, mostrando que o amor existe em todas formas e cores.