Crítica: experiência perturbadora, “A Bruxa” foge dos sustos fáceis

O filme está em cartaz no cinema (Foto: divulgação)

A Bruxa (The VVitch: A New-England Folktale, 2015) de Robert Eggers

Por Davi Nogueira*

A maioria das pessoas vai odiar esse filme e, na verdade, isso é um excelente sinal. O fato é que, fora todo hype que cerca A Bruxa (2015), essa é uma obra para poucos.

Bem distante do terror gratuito, dos sustos fáceis ou do sangue em excesso típicos das produções do gênero o filme tem uma abordagem bem diferente do convencional.

Desde o começo, que parece até um clímax, ele impõe seu próprio ritmo ao espectador permanecendo numa linha tensa e incomoda de se ver, mesmo que muito pouco aconteça.

O fanatismo religioso, a opressão e a paranoia são fundamentais na derradeira função que a história se propõe: o desmantelamento do sagrado núcleo familiar e a corrupção da inocência.

A trama é situado na Nova Inglaterra, no ano 1630, e a história é narrada pela jovem Thomasin (Anya Taylor-Joy). Depois que sua família se muda para uma nova casa na floresta, coisas estranhas começam a acontecer: animais tornam-se malévolos, a plantação morre e uma criança desaparece inexplicavelmente. Desconfiados, os membros da família acusam a adolescente de praticar feitiçaria.

Filme vencedor do prêmio de melhor diretor no Festival de Sundance, A Bruxa é exigente com seu público, os diálogos são longos e todos em inglês arcaico. O clima é de isolamento e a tragédia está sempre rondando. Não existem concessões. Essa é uma descida direta ao inferno e uma das histórias mais crueis já vistas nas telas de cinema. Uma experiência excepcional e perturbadora.

 

 

 

 

*Davi Nogueira é publicitário, redator e cinéfilo