Crítica: filme-catástrofe, “Terremoto” não é uma catástrofe de filme

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“Terremoto: A Falha de San Andreas” está em cartaz nos cinemas (Foto: Warner)

Dwayne ‘The Rock’ Johnson é um astro. E conseguiu pavimentar muito bem sua carreira em Hollywood. De jogador de futebol a herói de filme de ação, o brutamontes chegou lá. E o ridiculamente divertido “Terremoto: A Falha de San Andreas” (San Andreas, 2015) de Brad Peyton, só comprova que sua trajetória não foi por acaso. A trama que pode ser descrita em uma frase – um terremoto atinge a Califórnia e um piloto de helicóptero terá que percorrer o estado para resgatar a sua filha – é apenas mais um veículo para ‘The Rock’ ser a estrela de toda a ação.

Desde a primeira sequência, onde uma bela jovem é resgatada de maneira trivial, apesar do perigo eminente, The Rock é o cara. Personagem apresentado com um contra luz e mais de 600 resgates nas costas, já sabemos quem sera o herói do dia. Mas os clichês e a previsibilidade do roteiro entulha mais o filme que as ruas das cidades destruídas pela tal “Falha de San Andreas”.

Com espírito (e roteiro) de filme B, a fita tem uma superprodução e aposta em efeitos especiais em profusão para destruir a metade dos EUA com direito a terremoto, tsunami e drama familiar envolvido. Independente da dificuldade, a solução sempre está a mão. Seja um prédio citado anteriormente como local de climax, a fuga em um carro roubado duas vezes, a troca por um avião, o pulo de pára-quedas ou um barco na marina.[tribuna-veja-tambem id=”24672″ align=”alignright”]

Uma filha morta por afogamento? Mesmo que dizer que a outra e única que resta (Alexandra Daddario, de beleza avassaladora) passará por algo parecido, claro! Não esqueçamos da relação partida com a ex-esposa (Carla Gugino, da série de TV Wayward Pines), mas que tem de ser superada em meio à crise tectónica norte-americana. Para deixar o filme com algum lastro de explicação científica, acrescente á formula o sempre competente Paul Giamatti (indicado ao Oscar de coadjuvante por A Luta Pela Esperança), como cientista especialista em geologia.

Não esqueçamos do personagem (Ioan Gruffudd, de O Quarteto Fantástico) que demonstra não ser tão legal quanto parece (e que claro, terá uma morte dolorosa) ou aquela sensação de pura apelação com a adição de uma trilha tristinha imposta a cada frase e ação dramática.

Há também as situações (inacreditáveis) onde vários dos personagens dão explicações dos tais terremotos em plena crises de tremor, e do completo esquecimento da função do protagonista ao se voltar para o salvamento de sua filha. Bem verdade que ‘The Rock’ salva alguns lá pelo terço final da fita (mantendo a pecha de herói), enquanto o roteiro lembra que existem outros seres humanos (ufa) no meio de tanta loucura ao focar os rostos de alguns antes da morte.

E depois de ver uma destruição tão real quanto Mad Mad: Estrada da Fúria (2015) no cinema, chega a ser até imoral a quantidade de pirotecnia pasteurizada jogada em quase duas horas de projeção. Como resultado, é um trash não assumido, mas o filme-catástrofe não chega a ser uma catástrofe de filme. O diretor inexiste, com foco apenas na demolição por computação gráfica e muita correria. Drama mesmo só em um choro de uma mãe desesperada, e olhe lá.

“Terremoto: A Falha de San Andreas” é uma aventura bem previsível com alguma tensão. Sua aposta é a fusão do carisma do brutamontes de Dwayne Johnson e despejar a destruição em profusão para agarrar o espectador pelos olhos. Que pena que esquece a cabeça.

 

 

 

 

The Rock

Outrora jogador de futebol americano e ex-lutador de luta livre em shows de TV – daí o apelido ‘The Rock’, que insiste em abolir do cinema, Dwayne Johnson estreou como vilão em O Retorno da Múmia (2001). O sucesso foi tamanho que estrelou um filme solo com seu personagem, Escorpião Rei, no ano seguinte. Entre comédias – êxitos de bilheteria como Treinando o Papai (2007) e O Fada do Dente (2010) – e filmes de ação médios – de resultado medianos como Bem Vindo a Selva (2003) e Com as Próprias Mãos (2004), encontrou nas continuações de grandes franquias uma forma positiva de alavancar a carreira, e bem. Com os papéis de apoio em Viagem 2: A Ilha Misteriosa (2012), G.I. Joe: Retaliação (2013) e Velozes e Furiosos 5, 6 e 7 (2011; 2013; 2015), explodiu de vez. Elogiado pela atuação em Sem Dor, Sem Ganho (2013), estrelou uma nova versão da lenda de Hércules (2014) e já está escalado para a adaptação do herói de quadrinhos da DC Comics, Shazam!, entre 2018 e 2019.