Crítica: “O Exterminador do Futuro – Gênesis” renova a franquia com roteiro-justificativa

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5º capítulo de O Exterminador do Futuro estreia (Foto: Paramount)

Criado por James Cameron, O Exterminador do Futuro é uma franquia icônica do cinema. Filme que marcou para sempre a carreira de Arnold Scharzenegger, seja no papel do T-800 malvado (de 1984) ou o bonzinho (de 1991), contempla o supra sumo da ficção científica, com viagens no tempo, robôs X humanos e um futuro em que máquinas dominam homens.

O terceiro (2003: A Rebelião das Máquinas) é uma sessão da tarde (ainda com Scharzenegger, mas sem Cameron) que tenta implodir a história anterior, e o quarto (2009: A Salvação) foi uma aposta em dar novo ânimo à franquia focando unicamente em John Connor adulto (Christian Bale) como o novo herói. E sem Arnold.

Após números abaixo do esperado, a solução foi refazer tudo, com o retorno de Scharzenegger e uma nova linha do tempo. O que nos traz até “O Exterminador do Futuro: Gênesis” (Terminator: Genysis, 2015) de Alan Taylor. Pode ser visto como reboot, mas está mais para uma continuação direta do segundo e mais aplaudido filme da série, como o próprio James Cameron indicou, em entrevistas.

A trama parte do mesmo fato do primeiro Exterminador: John Connor (Jason Clarke) comanda a resistência humana contra as máquinas em 2029. Ao saber que a Skynet enviou um exterminador para matar a sua mãe, Sarah Connor (Emilia Clarke) em 1984 – antes do seu nascimento –, Connor envia Kyle Reese (Jai Courtney) para protegê-la.

Até aqui, tudo bem, mas agora vem a novidade. Ao chegar a 1984, Reese é surpreendido pelo fato de que Sarah tem como protetor outro e envelhecido exterminador T-800 (Arnold Schwarzenegger), enviado para protegê-la quando ainda era criança.

A grande questão é que a superprodução passa o tempo todo justificando sua existência, com diálogos extremamente explicativos e cheios de porquês. Seu roteiro-justificativa fica ensanduichado entre sequências de ação espetaculares, que merecem ser vistas em um cinema com uma tela gigantesca e um som estrondoso, de preferência em IMAX ou similar (MacroXE).

“Velho, não obsoleto” é, ao mesmo, uma autopiada de Scharzenegger na pele de T-800 (batizado de Papis) e uma necessidade de marcar/demarcar a sua volta à franquia. Com direito até a uso de um bordão inesquecível (“I’ll be back/Eu voltarei”) e seu tema revisitado na trilha sonora.

Apesar de J.K. Simmons ser mais uma tentativa de justificativa dentro da história, o ótimo ator que venceu o último Oscar de coadjuvante por Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014) não tem muito o que fazer. Jason Clarke beira a caricatura, sempre deixando um tom inconclusivo, enquanto Jai Courtney surpreende como o brutamontes com coração. Já Arnold, bem, ele está em casa. Muito à vontade no papel, vira “Papis” protetor e consegue até brincar com a “socialização” estimulada por Sarah Connor (Emilia Clarke).

Dentro da trama do primeiro, há um combate entre o Scharzenegger de 1984 X e o velho/atual Scharzennegger. Nas referências, o vilão do segundo (um T-1000 de metal líquido) aparece aqui para matar Sarah Connor, se antecipando aos fatos de 1991. O criador da Skynet, tão importante no segundo filme, dá as caras aqui, puxando a história para a nova criação do seu filho, o tal “Gênesis” do título.

Conhecemos uma nova Sarah Connor, uma figura humana representada pela atriz Emilia Clarke, mais próxima da personagem de 1984, com a cabeça e treinamento de 1991, mas sem os músculos de Linda Hamilton. Seu manejo com as armas tem até uma sequência similar com o final do segundo filme, ao atirar sequencialmente com uma potente espingarda.

Após um retorno a 1984, um salto no tempo até 2017, para tentar impedir que a Skynet domine o mundo. “Mate a Skynet antes que surja a Gênesis”, é a missão de Kyle Reese.

O novo vilão – que poderia ser uma virada na trama – foi revelado no seu último trailer exaustivamente. John Connor (Jason Clarke) reaparece em 2017, como uma nova versão atualizada e produzida pela Skynet, e deixa as coisas mais previsíveis.

Apesar da confusão atemporal, não se preocupe com os rumos da ficção científica, as explicações não tardarão. Tudo é possível? Em se tratando de idas e vindas no tempo, sim. Porém, há um amargor em relação às constantes atualizações na história, abertamente justificadas, com as explicações contínuas entre uma e outra explosão.

Outro questão negativa é o plano para explodir a Skynet. Não exatamente a execução, mas como se entra pela porta da frente de uma empresa tão grande simplesmente vazia, onde nem os seguranças existem? Além disso, o projeto “Gênesis”, que começa a ganhar “vida” como criança e passa a crescer rapidamente, não funciona. Isso inclui diálogos ruins, e uma sequência de perseguição virtual.

Entre os acertos, além do retorno de Scharzenegger, uma avalanche de sequências incríveis. Tudo que James Cameron nos contou de passagem sobre “O Dia do Julgamento Final” é visto aqui com riqueza de detalhes. E abre o filme para deixar todo mundo impressionado.

A condução em grande escala de Alan Taylor (mesmo diretor de Thor: O Mundo Sombrio, 2013) faz a diferença para a consistência das grande cenas de ação. Entre elas há a invasão à Skynet em 2029; a fuga de um hospital; uma perseguição de helicópteros; embates empolgantes – tipo destruição total – entre T-800/Arnold e T-1000 (Byung-Hun Lee), seguida de uma engenhosa armadilha; a fuga em um ônibus escolar em uma ponte; e a missão final na tentativa de acabar com a Skynet/Gênesis.

Repare quando Kyle Reese conversa com Kyle Reese em 2017, a criança está ajustando uma pequena moto, em uma referência óbvia a John Connor em O Exterminado do Futuro 2 (1991). Quer mais uma referência de 1991? Um certo androide tem seu braço arrancado e uma atualização é providenciada.

Entre homenagens e reverências (John Connor usa uma moto em uma perseguição), faltou só um “Hasta La Vista, Baby!”. Mas pelas possibilidades abertas ao final da superprodução e na cena entre-créditos (sim, há uma extra), o caminho está totalmente aberto para novas aventuras.

PS.: se nessa altura do campeonato você ainda não viu nenhum dos quatro ‘Terminators’ (1984; 1991; 2003; 2009), você consegue acompanhar bem o novo “O Exterminador do Futuro: Gênesis”, assistindo penas ao primeiro (O Exterminador do Futuro, 1984) e o segundo (O Exterminador do Futuro: O Julgamento Final, 1991).

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