Hoje tem espetáculo? Tem sim, senhor, e se chama “O Palhaço”

O Palhaço (Idem, 2011) de Selton Mello

Você está com muito calor, liga um ventilador e aguarda o vento soprar. Sabe aquela sensação prazerosa de sentir o vento atingir você? Simples, não é? Mas extremamente satisfatório. E essa é a minha sensação ao término da comédia dramática O Palhaço (Idem, 2011) dirigido, co-produzido, co-escrito, co-editado e estrelado por Selton Mello, que acrescento à sensação ainda risos e apreciação dramática. Simples e bonito.

A beleza é a única coisa preciosa na vida. É difícil encontrá-la, mas quem consegue, descobre tudo. (Charles Chaplin)

A trama traz uma trupe de circo, que nos anos 70, viajava por pequenas cidades do interior do Brasil em busca de públicos ávidos por divertimento, principalmente aqueles nunca tiverem uma experiência circense.

Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor! E o palhaço o que é? É ladrão de mulher!

É a época de inocência, sem internet, de sentimentos mais puros e um mundo de vivências a surgir. Para Benjamim (Selton Mello), que herdou a administração do Circo do pai (Paulo José), e parceiro de cena, a rotina o cansa e as preocupações o afligem. As ditas preocupações são mínimas, como conseguir um novo sutiã ou pintar o cabelo dos acrobatas, que para ele, são máximas.

Se o que você está fazendo for engraçado, não há necessidade de ser engraçado para fazê-lo. (Charles Chaplin)

O clima mambembe faz Selton Mello abraçar, ao mesmo tempo, a comicidade irônica e a tristeza da pós-alegria inventada. O ápice atinge quando diz para uma comportada Fabiana Karla: “Quem vai fazer o palhaço rir?”. Seu parceiro de cena é o maravilhoso Paulo José, em mais uma interpretação emocionante, sem acrobacias ou malabarismos.

Como vai? Como vai? Como vai? Como vai? Como vai, vai, vai? Eu vou bem! Eu vou bem! Eu vou bem! Muito bem! Muito bem, bem, bem!

Uma trilha que encanta e envolve o espectador. Sua simplicidade aparece também na fotografia, de tom vintage/envelhecida, onde tudo tem um sentimento de sonho. Achei divino, que ainda traz um quê de tom fantástico.

Num filme o que importa não é realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação. (Charles Chaplin).

Indo de encontro com a tradição dos picadeiros, a magia d´ O Palhaço honra o ‘respeitável público’ e entrega um espetáculo legitimamente circense digno de aplausos. Clap Clap Clap.

INFORMAÇÕES ESPECIAIS: os filmes mais estranhos estrelados por Selton Mello: Lavoura Arcaica (2001); Nina (2004); Árido Movie (2006); Cheiro do Ralo (2007); A Erva do Rato (2008) e sua estreia na direção Feliz Natal (2008), no qual não atua.

Crítica originalmente publicada no Jornal O Povo, na coluna Script de 10/11/2011.