Oscar 2010: uma análise da batalha entre Avatar e Guerra ao Terror

Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)

Havia cinco anos que os críticos e cinéfilos não ficavam tão indecisos em escolher o filme favorito para ganhar o Oscar, desde que Menina de Ouro, de Clint Eastwood, disputou com O Aviador, de Martin Scorsese. A partir de então, sempre se teve um grande favorito da critica especializada para levar a estatueta. Contudo, nem sempre a crítica acertou. Em 2006, Crash – No Limite, de Paul Haggis, venceu O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, que era o preferido, por exemplo.

Em 2010, surgiu uma forte dúvida entre Avatar, de James Cameron, e Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow. Há doze anos que a entrega do Oscar não era tão comentada pelo público e pela mídia. A última vez que se teve uma repercussão tão grande foi quando a última superprodução de James Cameron, Titanic, disputou a estatueta em 14 categorias.

Além de tudo isso, os produtores do prêmio resolveram colocar 10 indicados para a categoria de melhor filme. Decisão que gerou muitas críticas. A intenção era justamente aumentar o público espectador da premiação, mais filmes indicados, mais gente para torcer pelo seu filme favorito. Ainda tivemos outros aspectos menos importantes que influenciaram nessa grande repercussão do Oscar, como o fato de Kathryn Bigelow ser ex-mulher de James Cameron.

De qualquer forma, não havia como essa edição do Oscar deixar de chamar atenção. Afinal, o recordista de bilheteria, Avatar, concorreu em nove categorias. Este filme representa o futuro do cinema, não pelo discurso ecológico de seu roteiro, mas pro causa das inovações tecnológicas aplicadas em sua produção, a qual norteará as produções dos próximos anos. Contudo, foi injustiçado na premiação de melhor filme, perdendo para o filme de Bigelow.

James Cameron (Avatar)

O filme Guerra ao Terror não pode ser enquadrado em um filme de arte. Ao contrário do que falaram boa parte dos críticos, na minha visão, esse filme não humanizou a guerra. É claro que ele tem um formato diferente dos demais filmes tradicionais de guerra, porém o longa mostra os iraquianos como perigosos e malígnos inimigos, fazendo com que possa ser confundido com uma produção clichê típica americana, onde os soldados são sempre mostrados como heróis. Apesar de ter tido uma capciosa direção por parte de Bigelow, o filme mostra terríveis defeitos de produção.

A começar pelo roteiro que Mark Boal plagiou da experiência de um militar no Iraque. Por conta disso, ele esta sendo processado e jamais deveria ter sido premiado com o Oscar de Melhor Roteiro Original. Mesmo se o seu roteiro fosse “original”, os demais filmes indicados eram muito melhores, vide Bastardos Inglórios (de Tarantino) e Um Homem Sério (Irmãos Coen), por exemplo.

Para completar, Nicolas Chartier, um dos produtores de Guerra ao Terror, enviou e-mails para membros da academia pedindo que votassem em Guerra ao Terror por ser um filme independente e de baixo orçamento, ao se comparar com o seu grande concorrente. Com isso, ele quebrou as regras da academia e foi proibido de comparecer a cerimônia do Oscar, reforçando ainda mais a injustiça de Guerra ao Terror ter sido escolhido o melhor filme.

Quanto aos vencedores das demais categorias, foram merecedores de suas estatuetas.

 

Lista de indicados ao Oscar de melhor filme:

Avatar (produção de James Cameron, Jon Landau)
Amor Sem Escalas (produção de Daniel Dubiecki, Ivan Reitman, Jason Reitman)
Bastardos Inglórios (produção de Lawrence Bender)
Distrito 9 (produção de Peter Jackson, Carolynne Cunningham)
Um Homem Sério (produção de Joel Coen, Ethan Coen)
Educação (produção de Finola Dwyer, Amanda Posey)
Preciosa (produção de Lee Daniels, Sarah Siegel-Magness, Gary Magness)
Um Sonho Possível (produção de Gil Netter, Andrew A. Kosove, Broderick Johnson)
Up, Altas Aventuras (produção de Jonas Rivera)

Vencedor: Guerra ao Terror (produção de Kathryn Bigelow, Mark Boal, Nicolas Chartier, Greg Shapiro).

*Texto originalmente publicado em 08/03/2010, no Blog de Fernando Vasconcelos Benevides, desativado em 2011, e republicado em 2013, quando o Clube Cinema iniciou suas atividades.