Refilmagem de “Annie” é simpática, mas Cameron Diaz quase estraga tudo

Annie (Annie, 2014) de Will Gluck

O filme: Annie (Quvenzhané Wallis) é uma jovem órfã que vive em um orfanato comandado com mão de ferro pela senhora Hannigan (Cameron Diaz). Sua vida muda ao ser escolhida para passar alguns dias na mansão de um milionário político (Jamie Foxx), onde acaba fazendo amizade com seus funcionários e sendo usada para fins eleitoreiros.

Porque assistir: um filme para toda a família, leve. Refilmagem de título homônimo, dirigido em 1982 por John Huston. Sua origem é dos palcos da Broadway, mas sua natureza extremamente musical vem desde o livro no qual se baseia, assinado por Thomas Meehan. Já que se trata de uma atualização, há também algo de STOMP – onde a própria protagonista usa qualquer coisa como instrumento musical – nas canções.[tribuna-veja-tambem id=”7993″ align=”alignright”]

Pelo papel-título, a simpática Quvenzhané Wallis concorreu ao Globo de Ouro de melhor atriz (comédia ou musical). A carismática atriz mirim já concorreu até ao Oscar de melhor atriz, por Indomável Sonhadora (2012) e que participou do vencedor do Oscar, 12 Anos de Escravidão (2013).

O competente Jamie Foxx – vencedor do Oscar por Ray (2004) – entra na bem na história como um milionário em busca de uma carreira política. Há alguma caricatura, mas bem vinda para o clima da história. Rose Byrne (Missão Madrinha de Casamento, 2011) – responsável pela assessoria do personagem de Foxx – é um frescor, simpática e agradável.

Melhores momentos: as melhores canções são a outrora clássica “It’s The Hard-Knock Life”, a qual as crianças fazem uma arrumação da casa temporária, “I Think I’m Gonna Like It Here” (cantada por Quvenzhané Wallis e Rose Byrne) sobre a alegria de descobrir que gosta daquela situação e a nova versão de “I Don’t Need Anything But You”, que encerra a produção.

Pontos fracos: disparado a presença de Cameron Diaz. Indicada ao Framboesa de Ouro de pior atriz coadjuvante, a loira simplesmente exagera a dose como uma rancorosa, bêbada e desesperada Sra. Hannigan. A atriz despeja uma coletânea inacreditável de caras, bocas, caretas e qualquer coisa que não seja considerado próximo de uma atuação.

Seu “companheiro” em malvadezas, o assessor ambicioso de Bobby Cannavale, também destoa. Seu plano final é qualquer coisa de absurdo. Na verdade a própria sequência final – envolvendo uma fuga em um carro sendo perseguido por um helicóptero – fantasia demais a situação.

Algumas canções são morosas, e não envolvem em nada com suas respectivas coreografias, como a chatinha “Maybe” – antes de dormir. Já as novas versões de “Little Girls” (cantada pela péssima Cameron Diaz) e “Easy Street” por Bobby Cannavale e Cameron Diaz, que ensaiam um plano diabólico.

Na prateleira da sua casa: disponível em DVD e Blu-ray pela Sony, o musical é assinado pelo cineasta por Will Gluck, o mesmo da comédia A Mentira (2010), e da comédia romântica Amizade Colorida (2011).

Filme Digital HD já está disponível também para venda e locação antecipada no iTunes (com extras exclusivos) e no lojas Google, PSN, Xbox Live, Sky, NET, Vivo Play e Oi.

Bons extras desvendam a feitura do remake, incluindo comentário do diretor Will Gluck, Making Of e Clipe Musical “You´re never fully dressed without a smile”. Bônus Exclusivo em Digital HD inclui mais de uma hora de extras especiais, incluindo cinco canções, canção excluída, batidas e muito mais.

O compositor da trilha sonora original de Annie (1982), Charles Strouse aparece em um dos especiais da fita e comenta com entusiasmo sobre a obra, principalmente sobre a escalação de Quvenzhané Wallis no papel principal, categorizado de “performance incrível”.

Vencedor do Framboesa de Ouro (que considero exagero), o novo Annie é uma historinha bem produzida, com um elenco simpático (exceto Cameron Diaz) envolto de clichês, muita fofura (às vezes até demais) e algum materialismo exagerado.