Crítica: “Lady Bird” confronta mãe e filha em belo rito de passagem

“Sua mãe é muito rígida com você.”
“É porque ela me ama muito.”

Lady Bird: A Hora de Voar (Lady Bird, 2017) de Greta Gerwig

Será que nós sabemos mesmo a hora certa de “voar” sozinho?

Christine McPherson (Saiorse Ronan) está no último ano do colégio e o que mais deseja é ir fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia, ideia rejeitada por sua mãe (Laurie Metcalf). Lady Bird, como a garota exige ser chamada, não se dá por vencida e leva o plano de ir embora adiante mesmo assim. Enquanto a hora não chega, ela se divide entre as obrigações estudantis no colégio católico, o primeiro namoro, típicos rituais de passagem para a vida adulta, o afago do pai e sucessivos desentendimentos com a mãe. Com duas personagens de personalidade tão forte – mãe e filha – os momentos sentimentais são igualmente fortes.

A obra escrita e dirigida por Greta Gerwig, que assume ter bebido em suas memórias pessoais,e compartilha com o público sentimentos tão verdadeiros.

Sim, estamos diante de um doce e belo rito de passagem, com tocantes interpretações de Saoirse Ronan e Laurie Metcalf. Ambas são filha e mãe completamente críveis em seus embates emocionais em meio aos seus problemas do dia a dia. Sim, eu creio na revolta adolescente de “Lady Bird”, e sim, eu também compreendo como sua mãe é rígida, mas claro, o motivo é seu amor pela filha.

Afora o não desenvolvimento da história oculta do primeiro namorado da protagonista (Lucas Hedges), e o caricato segundo namorado (Timothée Chalamet), a comédia sentimental Lady Bird: A Hora de Voar é uma obra sólida, e construída com sentimentos simples e genuínos.

Lady Bird concorre em cinco categorias do Oscar 2018: melhor filme, diretora (apenas a quinta na história a ser indicada ao prêmio), atriz (Saiorse Ronan), atriz coadjuvante (Laurie Metcalf) e roteiro original.