Ponto Sem Retorno (The Dog Stars, 2026) de Ridley Scott
Um filme assinado por Ridley Scott sempre requer atenção quando estreia. Diretor britânico versátil, sempre imprime sequências de forte intensidade visual, e normalmente utiliza bem uma fotografia com luz e fumaça. Mas sua apresentação da distopia baseado no livro Na Companhia das Estrelas (Peter Heller, 2012) – best-seller que teve seus direitos de adaptação arrematado pela 20th Century Studios – intitulada Ponto Sem Retorno (The Dog Stars, 2026) é uma aventura genérica. Pior, sem emoção nenhuma.
A história pós-apocalíptica acompanha Hig (Jacob Elordi), um piloto solitário, e um fuzileiro durão (Josh Brolin) que sobrevivem em um aeroporto abandonado no Colorado, nove anos após uma pandemia de gripe devastar grande parte da humanidade. Entre uma ameaça e outra, Hig voa e descobre novas possibilidades e precisa fazer novas escolhas.
Adaptado pela dupla Mark L. Smith (O Regresso, 2015; e Twisters, 2024), e Christopher Wilkinson (especialista em cinebiografias como Nixon, 1995; Ali, 2001; O Segredo de Beethoeven, 2006; e Bruce Lee – A Origem do Dragão, 2016), a trama simplesmente não empolga. Em sequências de tensão não existe algum senso de urgência de que a violência pode vencer a paz, ou mesmo nos momentos que se aposta no tom intimista e contemplativo das estrelas (apontado pelo título original) o resultado é frio e distante. Tampouco com a entrada de um possível romance (cortesia de Magarett Qualley), e um grupo de “ceifadores” mudam o sentimento de uma história que não desenvolve nem mesmo seus personagens.
Mesmo com o próprio Ridley Scott se vangloriando que finalizou a produção em apenas 34 dias, apontando um ritmo acelerado e a comparando como uma série, mas com um orçamento polpudo de US$ 110 milhões, o resultado não foi nada recompensador.
Estamos diante de uma história simples, de condução irregular, e de resultado morno. “Ponto Sem Retorno” só é digno de nota pela sequência – ao mesmo tempo – bizarra e interessante em Grand Junction (ponto para Allison Janney), que poderia gerar uma tensão ainda maior e imprimir ainda mais risco para a situação, se não fosse tão apressada em sua própria resolução.
Espero que Ridley Scott se inspire em si mesmo e volte a fazer filmes como Perdido em Marte (2015), Blade Runner (1982) e Alien (1979) – falando em ficção científica; Gladiador (2000) e Cruzada (2005) – épicos; Falcão Negro em Perigo (2001) e Rede de Mentiras (2008) – guerra e espionagem; O Gângster (2007) e Chuva Negra (1989) – filmes policiais; e Thelma & Louise (1991) e Tormenta (1996) – aventuras dramáticas; Todos com personagens realmente interessantes, climas vibrantes, visuais sedutores e histórias que valem a pena serem contadas. Diferente de “Ponto Sem Retorno”, que é facilmente esquecível logo quando sobem os créditos finais.





















