
A categoria de Melhor Canção Original no Oscar existe desde a cerimônia de 1935, e premia compositores e letristas de músicas inéditas, criadas especificamente para um filme. Mas não qualquer filme, produção essa previamente habilitado para concorrer à premiação daquele ano, como ter lançamento comercial entre 1º de janeiro e 31 de dezembro do ano anterior à cerimônia, exibido comercialmente em cinema por, pelo menos, sete dias consecutivos em áreas específicas dos EUA (LA, NY, etc.).
Voltando para a categoria em questão, a canção deve ser audível, inteligível e integrar a narrativa (tanto em cena ou nos créditos finais do filme). Ah, e o prêmio vai para quem compôs, não para o intérprete, exceto se houver contribuição na composição.
O Clube Cinema elaborou uma lista com 20 canções que marcaram o a Sétima Arte, e até muitas vezes perpassou as telas de cinema para ganhar as paradas de sucesso. Muitos são hits inesquecíveis (duvido ler algumas delas e não cantarolar imediatamente), outras são músicas que funcionam muito dentro do seu respectivo filme, e em comum todas perderam o Oscar para outra canção original daquele mesmo ano.
Sobe o som, ops, vamos lá (aproveitei e fiz a playlist no Spotif):
20. “Dos Oruguitas” do filme “Encanto” (2022): Sebastian Yatra canta a música original de Lin-Manuel Miranda na animação encantadora da Disney. Mas a cantiga perdeu para a mais insossa das canções-tema de todos os filmes nomeados de 007, “No Time to Die” (007 – Sem Tempo Para Morrer, 2022) interpretada por Billie Eilish, também autora da música junto com Finneas O’Connell;
19. “Never Too Late” do filme “Elton John: Never Too Late” (2024): música-tema do documentário musical biográfico de Elton John, foi escrito por Elton John (intérprete), Brandi Carlile, Andrew Watt e Bernie Taupin, e que perdeu para uma das piores canções vencedoras do Oscar da História, “El Mal” (de “Emília Perez”, assinado por Clément Ducol, Camille e o diretor Jacques Audiard);

18. e 17. “Run To You” e “I Have Nothing”, ambas do filme “O Guarda-Costas” (The Bodyguard, 1992): a música mais conhecida do sucesso estrelado por Kevin Costner e Whitney Houston é “I Will Always Love You”. Porém a balada romântica não se trata de uma canção original, e sim de uma regravação melosa (e irresistível) para o hit country de Dolly Parton, na voz da própria Whitney Houston.
Mas em se tratando de canção original, Whitney Houston cantou não apenas uma, mas duas músicas nomeadas ao Oscar na categoria daquele ano. “Run to You” (18 no ranking Clube Cinema de perdedores do Oscar de Canção original), escrita por David Foster e Linda Thompson, e “I Have Nothing” (17 em nosso ranking), de Jud Friedman e Allan Rich.
Ambas perderam para a contemplativa “A Whole New World” (Alan Menken e Tim Rice), parte essencial da narrativa na animação “Alladin” (1992) da Disney, interpretada pelo duo Mena Massoud e Naomi Scott. O que podemos dizer é que 1992 foi páreo duro para a estatueta de melhor canção original;
16. “I’ve Seen It All” do filme “Dançando no Escuro” (Dancing in the Dark, 2000): a canção original “I’ve Seen It All”, interpretada por Björk, que também assina a letra com Lars von Trier e Sjón, perdeu o Oscar para uma grande música (“Things Have Changed” de Bob Dylan, para o filme “Garotos Incríveis”).
Porém, não deixa de ficar marcada como uma grande canção original entre as perdedoras do Oscar, numa obra marcante para a Sétima Arte, e que também é estrelada pela cantora Björk;
15. “Happy” do filme “Meu Malvado Favorito 2” (Despicable Me 2, 2013): animação divertida, mas com uma canção original que ficou ainda maior que o próprio filme, é assinada pelo cantor e compositor Pharrell Williams, também intérprete. Ganhou dois Grammys, mas perdeu o Oscar para a canção-chiclete “Let It Go” (de Kirsten Anderson-Lopez and Robert Lopez, cantado por Idina Menzel), do filme “Frozen – Uma Aventura Congelante”;
14. “Because You Loved Me” do filme “Íntimo & Pessoal” (Up Close and Personal, 1996): escrito por Diane Warren, e interpretado por Celine Dion, perdeu a estatueta para a canção “You Must Love Me” do musical “Evita ” (1996), assinado por Andrew Lloyd Webber e Tim Rice, e interpretada por Madonna;
13. “Unchained Melody” do filme “Fuga Desesperada” (Unchained, 1955): não, não erramos. A música “Unchained Melody” certamente será eternamente lembrada pelo grande sucesso de “Ghost: O Outro Lado da Vida” (1990) – na qual somos embalados pela versão de 1965, com a performance de Righteous Brothers.
Mas a sua gravação original ocorreu em 1955, e concorreu no Oscar de 1956 (música de Alex North e Hy Zaret – cantada por Todd Duncan), e perdeu para a canção tema de “Suplício de uma Saudade” (Love Is a Many-Splendored Thing, 1955) de Andy Williams, cantada por Frank Sinatra;
12. “Cheek to Cheek” do filme “O Picolino” (Top Hat, 1935): filme musical com uma das sequências mais memoráveis da História do Cinema, a dança entre Fred Astaire e Ginger Rogers, ao som da canção “Cheek to Cheeck” de Irving Berlin. A música perdeu para “Lullaby of Broadway” de “Mordedores de 1935” (Gold Diggers of 1935, 1935);

11. “Endless Love” do filme “Amor Sem Fim” (Endless Love, 1981): um dos maiores sucessos musicais da História do Cinema (e das paradas de sucesso) é cantada simplesmente por um dueto que marcou época, Diana Ross e Lionel Richie, que também escreveu a balada. Perdeu o Oscar para outro grande sucesso, “Arthur’s Theme (Best That You Can Do)”, da comédia “Arthur, Milionário e Sedutor” (1981), escrita e cantada por Christopher Cross;
10. “Against All Odds (Take a Look at Me Now)” do filme “Paixões Violentas” (Against All Odds, 1984): música-tema escrito e interpretado por Phil Collins, a balada romântica estava entre as finalistas de um dos anos de Oscar de canção original mais concorridos da História. A vitória ficou com o grande sucesso “I Just Called to Say I Love You”, de Stevie Wonder, da comédia “A Dama de Vermelho” (1984), como as duas próximas músicas da lista abaixo;
9. “Ghostbusters” de “Os Caça-Fantasmas” (Ghostbusters, 1984): mais um clássico dos anos 80, tão forte que nos filmes seguintes a canção ainda ecoa forte. Assinada pelo cantor e compositor Ray Parker Jr., a música perdeu para outro hit daquele ano, “I Just Called to Say I Love You”, de Stevie Wonder, da comédia “A Dama de Vermelho” (1984);
8. “Footloose” canção-tema de “Footloose – Ritmo Louco” (1984): mais um grande hit do disputado ano de 1984, com música escrita por Kenny Loggins e Dean Pitchford, interpretado pelo próprio Kenny Loggins, e, assim como “Ghostbusters” (uma posição acima), perdeu o Oscar para “I Just Called to Say I Love You”, de Stevie Wonder, da comédia “A Dama de Vermelho” (1984);
7. “Have You Ever Really Loved a Woman” do filme “Don Juan DeMarco” (1995): escrita por Bryan Adams, Michael Kamen e Robert “Mutt” Lange, interpretada pelo próprio Bryan Adams, a deliciosa balada romântica (com batidas de flamenco) não ganhou a estatueta em um ano concorrido que tinha entre os perdedores a inesquecível “You’ve Got a Friend in Me” do filme “Toy Story” (1995). Ambas perderam para a para a música de “Pocahontas – O Encontro de Dois Mundos” (Disney), “Colors of the Wind” de Alan Menken e Stephen Schwartz;
6. “(Everything I Do) I Do It For You” do filme “Robin Hood – Príncipe dos Ladrões” (1991): mais um grande sucesso que extrapolou as telas do cinema, escrita por Bryan Adams, Michael Kamen e Robert “Mutt” Lange, interpretada pelo próprio Bryan Adams. Ganhou até o Grammy, mas perdeu o Oscar para a melosa canção-tema de “A Bela e a Fera” (Beauty and the Beast, 1991) de Angela Lansbury, interpretada pelo duo Celine Dion e Peado Bryson.
5. “I Don’t Want to Miss a Thing” do filme “Armageddon” (1998): mais uma da hitmaker Diane Warren, com interpretação cool da banda Aerosmith. Perdeu para a comum “When You Believe” (de Stephen Schwartz) da animação “Príncipe do Egito” (1998), que tinha como grande trunfo a performance da dupla de divas pop, Mariah Carey e Whitney Houston;
4. “Save Me” do filme “Magnólia” (1999): a emocionante e catártica “Save Me” – escrita e interpretada por Aimee Mann – perdeu para a bacanuda canção de Phil Collins, “You’ll Be In My Heart”, da animação da Disney, “Tarzan” (1999). Mas não há como comparar, “Save Me” costura a narrativa de uma grande obra-prima que pe “Magnólia” como poucos filmes na história, principalmente por não se tratar de um musical;
3. “You’ve Got a Friend in Me” do filme “Toy Story” (1995): eternizada como a canção que sintetiza a amizade entre Woody e Buzz no primeiro filme da Pixar, em 1995, infelizmente perdeu para a música de outra animação, “Pocahontas – O Encontro de Dois Mundos” (Disney). Uma derrota dolorosa para a bonita “Colors of the Wind”, pois é uma música de impacto inferior, tanto à época, e que o tempo tratou de deixar um abismo ainda maior entre as duas.
A canção original vencedora é assinada pela dupla Alan Menken e Stephen Schwartz (intepretada por Judy Kuhn no filme e com Vanessa Williams nos créditos), enquanto a inesquecível perdedora do Oscar daquele ano (e que ficou para a história), é escrita e cantada por Randy Newman.
2. “Live and Let Die” do filme “007: Viva e Deixe Morrer” (Live and Let Die, 1973): a inesquecível e vibrante música original escrita por Paul e Linda McCartney, interpretada por sua banda Wings, é simplesmente uma das músicas-tema de James Bond mais bem-sucedidas de todos os tempos. E perdeu para a canção romântica de Barbra Streisand, “The Way We Were”, canção-tema de “Nosso Amor de Ontem” (1973), com a própria Barbra Streisand tanto estrelando o filme, quanto cantando;
1. “Power of Love” do filme “De Volta Para o Futuro” (Back to the Future, 1985): a banda Huey Lewis and the News atingiu o seu primeiro sucesso que atingiu o número um das paradas de sucesso com a música escrita pelo próprio Huey Lewis, com Johnny Colla e Chris Hayes.
Fato curioso: no filme o astro Michael J. Fox passa por uma audição com sua banda de rock no colégio ao tocar essa canção, mas o próprio Huey Lewis interpreta um jurado que diz à banda que eles são “barulhentos demais”, e por isso são desclassificados. Tão clássico quanto o filme oitentista, a música perdeu para “Say You, Say Me” (“O Sol da Meia-Noite”, 1985) de Lionel Richie.























