Com a estreia do novo “Os Roses: Até que a Morte os Separe” (The Roses, 2025), voltamos até 1989, e procuramos comparar o filme de Jay Roach com a “A Guerra dos Roses” (War of the Roses, 1989), obra dirigida e co-estrelada por Danny DeVito.
Humor Ácido X Suspense com Humor
Ambos são baseados no romance de Warren Adler (1981), mas o filme original é toda fomentada como uma comédia de humor ácido sobre o divórcio destrutivo de um casal que outrora estava apaixonado. A principal diferença é que o filme atual, estrelado por Olivia Colman e Benedict Cumberbatch entrega uma clima que, apesar do toque de humor, há um tom de suspense que flutua pelo roteiro assinado por Tony McNamara (“Pobres Criaturas” e “A Favorita”).
Locações dos filmes
A Guerra dos Roses (1989): Ebey’s Landing National Historical Reserve, Whidbey Island, Washington, EUA;
119 Fremont Place, Los Angeles, Califórnia, EUA (para exteriores da casa dos Roses);
Stage 15, 20th Century Fox Studios – 10201 Pico Blvd., Century City, Los Angeles, Califórnia, EUA (Fox Studio);
Little Europe, Backlot, Universal Studios – 100 Universal City Plaza, Universal City, Califórnia, EUA (cenas na neve).
Os Roses (2025): cidades de Salcombe, Devon (UK) e Los Angeles, California (USA);
Em Devon, Inglaterra, a cidade litorânea de Salcombe, localizada no distrito de South Hams, serviu como cenário principal do filme. Várias ruas e áreas litorâneas foram cenários, ou seja, praticamente toda a cidade foi usada, como as vistas panorâmicas do porto e das estradas costeiras como pano de fundo para a história. The Winking Prawn (Cliff Road, Salcombe): restaurante fechou durante as filmagens e passou por uma transformação ao estilo de Hollywood, com um novo nome, “We’ve Got Crabs Seafood Bistro” (Temos Caranguejos, Bistrô de Frutos do Mar).
Los Angeles, Califórnia: principal local de filmagem da Califórnia foi o Parque Estadual Pfeiffer Big Sur, no Condado de Monterey, incluindo uma aparição da Golden Gate Bridge.
Troca de Nomes + Personagem Deletado
Os nomes dos protagonistas mudaram. Antes eram Oliver (Michael Douglas) e Barbara (Kathleen Turner), agora são Theo (Benedict Cumberbatch) e Ivy (Olivia Colman). Mas tem outro detalhe, que influi diretamente na narrativa da obra. Além de ser o diretor da comédia de 1989, Danny DeVito interpreta o advogado Gavin D’Amato, que funciona como o narrador da história dos Roses. Já na refilmagem de 2025, esse papel – e portanto a função narrativa do filme – inexiste.
Profissões diferentes
O primeiro filme se aproxima mais do romance original de Adler em termos das ocupações dos protagonistas. Oliver (Michael Douglas) é um advogado de sucesso e Barbara (Kathleen Turner) é dona de um buffet. Já em “Os Roses”, Theo (Benedict Cumberbatch) é arquiteto, e Ivy (Olivia Colman) é dona de um restaurante de frutos do mar (We’ve Got Crabs!), que não deixa de ser algo parecido com o primeiro filme. Os interesses conflitantes, e a “inversão” de papéis de gênero no viés doméstico são motivações importantes para a atualização do conflito.
Motivos dos divórcios
A Guerra dos Roses (1989): Oliver decide pedir o divórcio de Barbara após um problema de saúde (ele achava que era um ataque cardíaco, mas a verdade foi um problema no esôfago, mas a perspectiva da morte do marido a deixou contente.
Os Roses (2025): Theo percebe que seu relacionamento com Ivy acabou enquanto resgata uma baleia encalhada, e logo em seguida cai em si que a vida é curta, e por isso não entende porque passaria o tempo que lhe resta com Ivy.
A briga pela divisão da casa
Pequenos detalhes separam os pedidos de divisão das casas nos filmes, que, claro, geram atritos, e por consequência, os momentos mais interessantes em cena.
A casa segue sendo um personagem importante na narrativa, e sua versão tecnológica também vestiu bem as necessidades criativas e cômicas dos confrontos entre o casal protagonista, refletindo as contradições entre juras de amor, poder e desejo de autonomia num mesmo lugar literal.
Guerra dos Roses (1989): Barbara reivindica a casa para ela justificando que a encontrou e a decorou, enquanto Oliver informa que utilizou tudo o que ganhou na casa deles, incluindo compra e reformas.
Os Roses (2025): Theo não quer ceder a casa, pois foi ele que a projetou, mas por outro lado, Ivy foi a principal investidora na construção.
Cotação
A Guerra dos Roses (1989): 8/10 (Daniel Herculano)
Os Roses: Até que a Morte os Separe (2025): 7,5/10 (Ávila Souza)
*Ávila Souza é integrante da ACECCINE (Associação Cearense de Críticos de Cinema) e escreve para o Oxente Pipoca.