ALUCINAÇÃO (2026) de Eduardo Albergaria
Obra de ficção, “Alucinação” (2026) já estreou no Canal Brasil, e é uma grande oportunidade para que possamos acompanhar a construção e a desconstrução da vida do cantor e compositor cearense Belchior. A produção retrata a trajetória do artista desde o jovem Antônio Carlos, no interior do Ceará — passando por sua vivência com os freis capuchinhos em Guaramiranga e seus estudos de medicina —, até o momento em que atinge o auge do sucesso na MPB e decide desaparecer dos palcos e da vida pública.
O Clube Cinema já conferiu à série completa e podemos declarar que o tom dramático se sobrepõe aos desejos musicais da trama, mas que a construção da persona de Belchior, enquanto artista, é bem calcado em vivências escondidas de boa parte do público.
Dirigido por Eduardo Albergaria (também co-roteirista), “Alucinação” tem quatro capítulos com 50 minutos cada, e que passa pelas mais diferentes fases da vida de Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, o Belchior. Em cartaz no Canal Brasil, é uma experiência essencial não apenas para os fãs, mas para oo público em geral.

O roteiro (assinado por Daniel Dias e Eduardo Albergaria) é inspirado no livro “Belchior, Apenas um Rapaz Latino-Americano”, de Jotabê Medeiros, mas obviamente há lacunas não documentadas na vida do artista. Espaço perfeito para criar situações que dão ritmo à trama, além de econtros fictcios, como o de Carlos Drummond de Andrade.
O adeus de Belchior ocorreu escondido. Seus momentos finais foram dedicados (e ela à ele) a dedicação amorosa de Edna Prometheu, revelada em detalhes na série. O artista cearense escolhei estar longe de tudo. Da família, dos amigos, dos holofotes, da legião de fãs, e principamlmente dos companheiros de mística do Pessoal do Ceará. E acompanhar esses supostos momentos finais, não chega a ser esclarecer, mas abraça mais o campo da curiosidade.

Entre idas e vindas no tempo, a série acompanha os principais movimentos dessa trajetória. O primeiro, sua adolescência em um mosteiro de padres em Guaramiranga, o segundo retrata a passagem entre a medicina e a música e a decisão de abandonar um caminho considerado seguro para seguir sua vocação (interpretado por Caian Zattar). O terceiro aborda a chegada do sucesso e as contradições que surgem com a construção do ídolo. O último acompanha o desaparecimento de Belchior, quando o artista, já nesse momento interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos, abandona carreira, bens e reconhecimento e inicia, ao lado de Edna Prometheu (Isabela Garcia), uma jornada de deslocamento pelo Brasil e pela América do Sul.
Existem momentos tanto de referências óbvias, como quando Belchior e Edna assistem numa TV em um quarto de hotel ao clássico “Bonnie and Clyde: Uma Rajada de Balas” (1967), logo eles um próprío casal em fuga, quanto histórias que variam entre a marcante (como as músicas que Belchior fez para Elis Regina), e uma curiosa e bizarra briga com Fagner (com direito a violão quebrado, tesoura e socos).
Tive um pouco de dificuldade em identificar a trupo do “Pessoal do Ceará”, claramente a boina identificava Ednardo e Fagner cantando, ajudaram, mas os demais, tive de fazer um esforço [Pessoal do Ceará na tela: Vinícius Cafer, como Fagner; Lua Martins, como Amelinha; Pedro Fasanaro, como Ednardo; Ítalo Rui, como Jorge Mello; Mateus Honori, como Rodger Rogério; e Larissa Góes, como Téti].

Para conhecer mais vida que obra de Belchior, “Alucinação” (2026) é um grande acerto do Canal Brasil. E para registrar, é extermamente recomenpesnador ver as canções nascendo em tela, mas é igualmente frustrante não escutá-las durante a série, devido um impedimento legal.
Alucinação (2026) (4 episódios de 50’) – Versão inédita | Horário: Sábado, dia 29/08, às 22h (exibição semanal) | Alternativos: Domingos, às 20h; Segundas, às 18h30; Quartas, às 14h | Maratonas: Sábado, dia 26/09, a partir das 18h30; Domingo, dia 27/09, a partir das 21h; Quarta, dia 30/09, a partir das 14h
Classificação: 14 anos | Direção: Eduardo Albergaria | Sinopse: Minissérie de ficção em quatro episódios que acompanha a construção e a desconstrução de Belchior, do jovem Antônio Carlos, no interior do Ceará, ao artista que, no auge do sucesso, decide desaparecer.
Disponível no Globoplay (Plano Premium) a partir de 30 de agosto.





















