A Morte do Demônio: Em Chamas (Evil Dead Burn, 2026) de Sébastien Vaniček
Poucas marcas no cinema de terror são tão consistentes quanto A Morte do Demônio (Evil Dead). Desde a genialidade trash de Sam Raimi datada de 1981 (depois 1987, 1992 assumindo o subtítulo como título principal: Uma Noite Alucinante), passando pela brutalidade visceral da versão de Fede Álvarez (em 2013), até o sufoco urbano de A Morte do Demônio: A Ascensão (Evil Dead Rise, 2023), a franquia de horror se recusa a entregar um capítulo ruim.
Agora, A Morte do Demônio: Em Chamas (Evil Dead Burn, 2026) de Sébastien Vaniček chega com a responsabilidade de manter essa reputação intacta. A proposta é parecida com a do longa anterior: uma história contida, claustrofóbica, ambientada quase inteiramente dentro de uma casa. E, no quesito selvageria, ele cumpre o que promete. Talvez seja, graficamente, o capítulo mais violento e implacável de toda a saga. Os deadites aqui não querem apenas brincar com as suas vítimas, eles querem estraçalhar mente e corpo.
O grande trunfo do filme atende pelo nome de Sébastien Vaniček. O diretor, escolhido a dedo por Raimi, traz na bagagem a herança maldita do “terror extremo francês” (escola de clássicos como Alta Tensão) e isso transborda na tela. Os movimentos de câmera são calculados, a fotografia é de alto nível e a construção da atmosfera de tensão é impecável. Tecnicamente, o filme é um deleite para os olhos de qualquer fã da franquia.
Porém, existem dois tropeços muito claros que impedem “Em Chamas” de sentar no trono de melhor da série. O primeiro, e mais grave, está no roteiro: os personagens não funcionam. Falta carisma, falta desenvolvimento, e principalmente, falta empatia. No filme de 2023, você sofria pela família, aqui, as decisões das vítimas são tão questionáveis e a personalidade delas é tão rasa que, em vários momentos, a gente se pega torcendo discretamente para o deadite (espíritos demoníacos e parasitas que habitam e controlam corpos) da vez. Sem conexão com quem sofre, o horror vira apenas um espetáculo visual.

O segundo problema é uma heresia para a cartilha de Sam Raimi: o desequilíbrio entre uso de efeitos práticos e o uso de de CGI por computador. A alma da franquia Evil Dead/A Morte do Demônio sempre esteve no peso dos efeitos práticos, na maquiagem palpável e no sangue cenográfico que parece cobrir os atores de verdade. Quando o novo longa cede, parte aos efeitos digitais, há uma certa quebra na imersão do horror. O digital tira a textura orgânica que o filme precisa.
Passando a régua, A Morte do Demônio: Em Chamas (2026) passa longe de ser um filme ruim. É uma obra competente, muito acima da média do terror genérico que satura os cinemas hoje em dia. Ele não tem o impacto da reimaginação sangrenta de 2013 e nem o equilíbrio dramático da versão de 2023, mas entrega bastante sangue e a direção virtuosa que a assinatura da franquia exige.
Evil Dead 7
O melhor de tudo é saber que o banho de sangue não vai parar por aqui: a produção do próximo capítulo, intitulado Evil Dead Wrath (sob o comando do promissor Francis Galluppi – A Última Parada do Arizona, 2023), já está a todo vapor para o lançamento nos cinemas em 2028. A engrenagem continua girando forte.
NOTA (SEM SPOILERS): Não saia da sala quando o filme acabar pois ele conta com duas cenas pós-créditos. A primeira surge logo no meio, mas a principal é a última, que traz uma surpresa de deixar qualquer fã satisfeito.
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