Dia #6 – Semana Internacional da Crítica – Festival de Veneza 2026
Meteorito (Meteorite – Colômbia, 2026), de Sebastián Múnera
Nia (Ángela Cano) e Tefa (Luna Gaviria) vivem perto do rio Magdalena, na região agrícola da Colômbia. E para ganhar algum dinheiro, aceitam contrabandear celulares para uma prisão da região. Meteorito (Meteorite, Colômbia) de Sebastián Múnera, que faz parte da Mostra Competitiva da Semana Internacional da Crítica do Festival de Veneza, nos leva a um ponto de mudança de olhar sobre essas duas mulheres, após a jornada delas por um parque de diversões surreal trazer à tona memórias enterradas e vestígios de violência.
Você pode achar, à primeira vista ou em um pensamento ligeiro, que o filme se resume a seguí-las em suas rotinas pobres e escolhas difíceis, tudo em prol de uma sobrevida mínima.
Mas desde o primeiro encontro das duas protagonistas, Nia (Ángela Cano) e Tefa (Luna Gaviria), em uma cena terna na cama, o diretor constrói uma relação de cumplicidade entre elas. E que desagua no fim para outra cena simples, porém que, sensivelmente, diz muita coisa entre as duas personagens, principalmente o poder de saber perdoar. Porque uma história de confiança é feita de sentimentos verdadeiros.
Essa cumplicidade das duas passa pela rotina, por momentos de apreciação da vida e da família com o sobrinho, especialmente em um passeio em um parque ecológico [com direito a uma poética cena com Nia (Ángela Cano) dentro do “boca de um jacaré” a ponto de ser devorada pela vida, por decisões, e que também mostra que ela “brinca com o perigo” de alguma forma], até chegar o ponto de mais tensão da obra: a visita íntima e as escolhas de cada uma delas.
Precisamos falar sobre a escolha do roteiro em colocar uma imagem crucial sobre como o filme passeia pelo caminho do bem e do mal, independente da natureza das pessoas. De forma meticulosa fica, logo após o passeio, a estrada mostra dois caminhos com duas placas: de um lado o parque (pelo qual acabaram de passar um dia de relaxamento e diversão em família), do outro o caminho que leva a prisão de segurança máxima (que representa o perigo, o medo e a violência), onde se desenrola a parte final do drama.
Uma bela obra do cinema colombiano, que apesar da pouca minutagem, não tem pressa em mostrar sua história como belas fotos em tela grande.
























