Dia #2 – Semana Internacional da Crítica – Festival de Veneza 2026
Zoom In, Zoom Out (China, 2026) de Dong Jie
Exibido na competição da Semana Internacional da Crítica do Festival de Veneza, “Zoom In, Zoom Out” (2026), longa de estreia do diretor chinês Dong Jie, coloca o espectador no centro de uma investigação digital que oscila entre a vertigem estética e a reciclagem temática. Na trama, acompanhamos Shi, um jovem designer de jogos que atravessa a cidade em busca de seu colega de quarto desaparecido, Gao. Guiado por uma pista oculta em um jogo online, Shi acaba encontrando YY, uma moça que ele se interessa (mas é mais que isso), dando início a uma jornada tateante que se desdobra entre a realidade concreta, as armadilhas da memória e as camadas dos espaços virtuais.
Narrativamente, a estreia de Dong Jie não preza pela originalidade. É praticamente impossível não pensar no suspense Buscando… (Searching, 2018), no qual um pai desesperado vasculha o laptop da filha para reconstituir seus passos em sua procura. A estrutura de Zoom In, Zoom Out bebe da mesma fonte procedural, utilizando uma linguagem visual pesadamente “tecnológica” para emparelhar o público ao estado mental do protagonista. Esse dispositivo de encenação funciona em termos de imersão inicial, colocando-nos na mesma frequência da paranoia de Shi, mas rapidamente revela suas limitações: o excesso de artifícios visuais nem sempre serve à história, surgindo por vezes deslocado, artificial e fora de contexto.

O filme ambiciona se debruçar sobre tópicos densos — amizade, memória, inteligência artificial, identidade, realidade virtual e o universo dos jogos eletrônicos. Contudo, ao tentar abarcar essa vasta gama de dilemas contemporâneos, a obra entrega uma reflexão filosófica tida em capacidade bem inferior àquela que os melhores episódios de Black Mirror já alcançaram com muito mais precisão.
Zoom In, Zoom Out tateia boas ideias e constrói uma atmosfera intrigante, mas peca ao sufocar a densidade dramática de seus personagens em favor de um malabarismo técnico que nem sempre justifica a sua própria existência, tornando a experiência um pouco decepcionante.






















