30 Dias de Noite 2: Dias Sombrios (30 Days of Night: Dark Days, 2010) de Ben Ketai
A sequência cinematográfica de um sucesso inesperado é sempre um terreno perigoso. Após o excelente impacto causado por 30 Dias de Noite (2007) — que usava com maestria a tensa premissa de sobrevivência em um Alasca sem Sol e à mercê de criaturas sanguinárias —, surge a sua continuação direta. O longa tenta amarrar as pontas soltas ao emendar de forma inteligente a excelente cena final do predecessor a uma narração em off que dá vazão à nova história. No entanto, o resultado final revela-se uma produção frouxa e bem “mais ou menos”, evidenciando-se como uma sequência desnecessária que não consegue ir muito longe, apesar de um bom início.
O primeiro grande obstáculo crítico da obra reside na quebra de identidade de sua protagonista. Embora a personagem que sobreviveu ao massacre original seja a mesma, a atriz que a interpreta mudou: a sisuda e bonitinha Kiele Sanchez assume o posto que antes pertencia a Melissa George. A nova motivação da heroína é expor os vampiros para a sociedade e provar que as criaturas realmente existem, uma premissa que, na prática, não funciona muito bem na tela. A narrativa ganha novos rumos quando ela é encontrada por outros sobreviventes de ataques vampirescos. Juntos, eles formam uma equipe de caça — que inclui no elenco Harold Perrineau (de Lost) e o apático Rhys Coiro, que tenta posar de galã, mas entrega uma atuação vazia. O objetivo do grupo é eliminar Lilith (Mia Kirshner), a nova e impiedosa líder do clã dos monstros.

Do ponto de vista técnico e estrutural, o filme escancara o seu clima de produção B direto para locadora, jamais alcançando o patamar de uma obra feita para o cinema. Os cortes de edição são ruins e espaçados, o que compromete gravemente o ritmo do longa. Além disso, o roteiro introduz escolhas questionáveis que quebram a mística estabelecida anteriormente, como a inserção de um vampiro desertor que, de maneira inacreditável, agora fala inglês fluente, além de cenas pseudo-eróticas que parecem deslocadas e artificiais dentro do contexto de horror.
Para quem assiste motivado pela curiosidade de saber como a continuação se sustentaria após o impacto do primeiro filme, os efeitos visuais até se mostram aceitáveis para o nível modesto dessa produção. Contudo, a tensão psicológica e o terror sufocante foram drasticamente minimizados. O suspense da obra resume-se tragicamente a apenas dois momentos isolados: a sequência da primeira invasão e a perseguição final ambientada em um barco. Na prateleira de casa, a fita demonstra uma tremenda covardia em comparação com a crudeza do original de 2007, tornando-se um produto esquecível que falha em honrar o peso de seu próprio nome.


























