Crítica: “O Irlandês” estreia para fazer história

Em meio à controversa declaração do cineasta Martin Scorsese afirmando que os filmes da Marvel não são cinema e à velha polêmica de que os filmes produzidos pela Netflix não são cinema, chega às telas a nova produção do diretor: O Irlandês (The Irishman).

A história, uma produção para o streaming (estreia na Netflix no dia 28 de novembro), ganhou exibições limitadas em alguns cinemas ao redor do mundo numa estratégia para se candidatar às grandes premiações da temporada, em especial o Oscar.

Mas, afinal, o que faz um filme ser “cinema”? No fundo, acredito, que trata-se de contar uma excelente história. Não importa o gênero ou a escala do filme ou onde será exibido e sim as emoções que ele desperta. O Irlandês é um épico “intimista” de cerca de três horas e meia de duração com três dos maiores atores vivos do cinema americano: Robert DeNiro (em atuação contida), Al Pacino (explosivo) e Joe Pesci (como sempre roubando todas as cenas).  Usando a inovadora técnica do de-aging (que rejuvenesce os atores através de efeitos digitais) eles interpretam seus papéis nas versões mais jovens e mais velhas de suas vidas.

É de cair o queixo. Não bastando isso temos três monstros consagrados que, surpreendentemente, não travam um duelo de atuações e sim uma colaboração de atuações. É quase hipnotizante ver os três atuando, tamanha técnica, talento e experiência envolvidos (indicações ao Oscar e uma possivel vitória de DeNiro é quase certa).

Consagrado como um dos maiores cinesta de todos os tempos, Scorsese mostra que ainda está no auge de sua forma (mesmo 40 anos depois de Táxi Driver) e entrega uma obra prima que só ele poderia ter feito.

É sétima arte na totalidade de sua essência e um fascinante estudo dos bastidores da vida do crime e da máfia. Um marco na história do cinema ou seria um marco na história da Netflix? Aposto que em ambos.