Supergirl (2026) de Craig Gillespie
O novo longa da “Supergirl” (2026) chega aos cinemas com a difícil missão de expandir o novo universo cinematográfico da DC Comics. No entanto, quem espera um épico grandioso vai precisar ajustar um pouco as expectativas. A aventura entrega uma jornada mais contida, que, embora tente encontrar seu próprio espaço, acaba esbarrando em escolhas narrativas muito fáceis e convencionais. A velha sensação de “filme repetido” é uma constante aqui.
Na trama, acompanhamos Kara Zor-El (Milly Alcock) lidando com o trauma da destruição de seu planeta. Quando um adversário implacável surge, ela relutantemente aceita formar uma aliança em uma jornada interestelar de vingança e justiça ao lado de Ruthye, uma jovem alienígena que busca vingar a morte de seu pai.
Um dos pontos que mais chamam a atenção logo de cara é a escala da produção. Para um grande blockbuster de super-heróis, a ambientação passa uma forte sensação de ser um projeto claramente menor. A escolha de situar a trama inteiramente no espaço é interessante, mas gera comparações imediatas com Guardiões da Galáxia (da Marvel) e sai perdendo em todos os quesitos. A maior diferença é que a obra não consegue dar uma identidade única e distinta a esse universo, resultando em um cenário que soa derivativo e não transmite a magnitude que a mitologia de Krypton exigiria.

Mesmo sendo assinado por Craig Gillespie, um diretor que já provou ter visão narrativa para fortes personagens femininos, vide Cruella (2021) e Eu, Tonya (2017), o roteiro reflete uma pegada mais comedida também na protagonista.
Diferente do acerto inegável na escalação e na energia do novo Superman (2025), a sua prima, Supergirl apresentada aqui tem uma presença de tela muito mais fraca. A atriz Millie Alcock (da House of the Dragon, 2022~; Série-prólogo de Game of Thrones) cumpre o papel de forma protocolar e entrega exatamente o que o roteiro propõe: uma personagem em um estado quase letárgico e a proposta parece ser essa mesmo. O problema é que a direção acompanha essa inércia, o que acaba limitando o carisma da heroína e dificultando a conexão emocional do público com a jornada dela, que é lotada de clichés.

A falta de peso dramático fica ainda mais evidente quando olhamos para a ameaça que a protagonista precisa enfrentar. O vilão da história é a definição exata do genérico, ele entra e sai de cena sem deixar qualquer marca, desprovido de motivações aprofundadas ou de um impacto real na narrativa. Em vez de uma presença intimidadora que eleve o desafio e exija o máximo da heroína, ele acaba funcionando apenas como um obstáculo burocrático e esquecível para fazer a trama andar.
Na construção visual e rítmica, o projeto opta por caminhos seguros, mas exaustivamente usados no gênero. A direção se apoia no uso repetitivo de lens flares e nas conhecidas sequências em câmera lenta, acompanhadas de músicas ainda mais lentas. A trilha sonora aposta forte em uma pegada pop para tentar dar um ar descolado à produção (outro ponto que já vimos nos filmes de Guardiões da Galáxia), mas acaba deixando uma lacuna importante: falta aquele tema instrumental épico, aquela marca sonora inconfundível que costuma transformar bons personagens em ícones na tela grande.
Para quem contava com as participações especiais para dar um gás na história, é bom ir com calma também. A aguardada presença de Jason Momoa como Lobo não atinge todo o potencial irreverente que a figura do anti-herói promete. Já o cachorro Krypto, que roubou a cena no filme do Superman (2025), tem um tempo de tela muito reduzido ao início e ao desfecho da projeção. No fim das contas, a ausência de um suporte mais forte, combinada a antagonistas sem peso e a uma falta de ousadia criativa, entrega uma aventura espacial que joga seguro, mas que está longe de alçar os voos altos que a personagem merecia.
Só para registrar, a mesma personagem já havia tido uma adaptação cinematográfica de mesmo nome – Supergirl (1984), com Helen Slater, e, diferente da atual, é uma produção extremamente simples e pobre, com resultado abaixo do razoável.