A Bela Que Dorme (La Bella Addormentata, 2012) de Marco Bellocchio, em DVD e Blu-ray
Esta revisão lança luz sobre A Bela Que Dorme (La Bella Addormentata, 2012), analisando a obra logo após o seu lançamento oficial em mídia física nos formatos DVD e Blu-ray no Brasil.
Dirigido pelo aclamado cineasta Marco Bellocchio, o longa-metragem concorreu ao prestigiado Leão de Ouro e rendeu dois prêmios especiais no Festival de Veneza: um para o próprio diretor e outro para o ator coadjuvante Fabrizio Falco. Trata-se de um drama italiano consistente que aborda a eutanásia de maneira sutil e poderosa, fugindo deliberadamente de ataques diretos e panfletários ao tema.
O pano de fundo da narrativa acompanha o caso real de Eluana Englaro, mantida em coma vegetativo por 17 anos. Entre intensas polêmicas religiosas e morais, a situação é levada ao parlamento italiano para decidir pelo desligamento dos aparelhos. O drama de Eluana reflete diretamente em várias histórias paralelas.
Acompanhamos um senador (Toni Servillo) que viaja a Roma para votar o caso, enquanto lida com o luto recente da esposa e o relacionamento abalado com a filha (Alba Rohrwacher). Esta, por sua vez, é uma manifestante católica pró-vida que se apaixona por um rapaz (Michele Riondino) cujo irmão é contrário aos protestos. Em outra subtrama, uma atriz obcecada (Isabelle Huppert) reza ininterruptamente pela filha em coma, gerando um racha familiar com o filho e o esposo. No hospital onde Eluana está internada, médicos cínicos fazem apostas sobre a morte da paciente, exceto por um profissional obstinado que tenta salvar uma jovem viciada em drogas, buscando reconstruir sua própria vida em frangalhos.

Os melhores momentos da película residem nas brilhantes rimas visuais estruturadas por Bellocchio sobre o ato de dormir e acordar: o médico que perde o sono pela paciente, a mãe que não dorme enquanto a filha não desperta e o político insatisfeito que busca uma decisão ética enquanto o apoio popular é friamente projetado em uma tela na sede do partido. Como ponto fraco, o compasso de espera por Eluana, rigidamente marcado em dias e horários, tenta criar expectativa, mas acaba transformando a história principal em mero pano de fundo.
Ainda assim, a obra merece um lugar de destaque na prateleira de casa por versar com sensibilidade sobre política, fé, culpa, família, e o amor. Bellocchio demonstra o poder da salvação espiritual, social e pessoal, sugerindo que, ao salvar o próximo, o indivíduo encontra a sua própria cura.

























