
O Homem que Fazia Chover (The Rainmaker, 1997) de Francis Ford Coppola
Revisto quase três décadas após o seu lançamento, O Homem que Fazia Chover (1997), adaptação de Francis Ford Coppola para a obra literária de John Grisham, consolidou-se como uma produção ainda mais classuda e artisticamente refinada dentro do subgênero dos dramas jurídicos.
No vasto panorama de transposições cinematográficas do universo literário de Grisham, esta obra sobressai como uma das mais bem executadas tecnicamente. A sofisticada direção de fotografia de John Toll rejeita o visual estéril e cinzento dos tribunais tradicionais, apostando em composições de câmera que valorizam as texturas urbanas e uma iluminação calorosa, que confere uma atmosfera intimista à Memphis onde a trama se ambienta. Aliada a isso, a montagem precisa conduz as diferentes linhas narrativas com uma cadência orgânica, sem pressa para a conclusão, o que se revela um acerto grandioso de roteiro e direção.
A estrutura narrativa é sempre guiada de forma linear pelo protagonista Rudy Baylor (Matt Damon), um jovem advogado em busca de reconhecimento e sobrevivência financeira logo após a formatura. A engenhosidade do roteiro reside na habilidade de Coppola em costurar três tramas paralelas: o processo principal contra uma seguradora corrupta, o testamento de uma idosa excêntrica e um arco dramático paralelo que envolve interesse amoroso e violência doméstica. Essa descentralização do foco jurídico expande o olhar crítico sobre o sistema social americano, mostrando que a lei frequentemente ignora a vulnerabilidade humana.
O sucesso dessa engrenagem dramática é calcado em um elenco extremamente bem escalado. Matt Damon, então um novato na indústria, entrega uma atuação que permite traçar um paralelo fascinante com o seu próprio personagem: ambos buscavam se firmar em seus respectivos meios profissionais altamente competitivos.
Danny DeVito brilha como o parceiro ideal, Deck Shifflet, injetando um alívio cômico perspicaz e a malandragem necessária das ruas. Claire Danes confere uma fragilidade dolorosa à jovem agredida pelo marido, enquanto Jon Voight constrói um antagonista memorável na pele de Leo F. Drummond, um implacável “tubarão de terno”, tão caro quanto insensível. O longa ganha ainda mais estofo com participações luxuosas de Danny Glover, Mickey Rourke e Roy Scheider.
Rever este drama clássico confirma que a produção entrega uma obra madura. Coppola transcende as convenções do filme de tribunal, focando na jornada de amadurecimento ético e pessoal, garantindo o tempo necessário para que possamos apreciar cada nuance de sua elegância estética.
John Grisham
Para quem não sabe quem é John Grisham, ele deixou de advogar criminalmente para investir na carreira de escritor, e deu certo. O autor reinou nos anos 90 com uma série de adaptações dos seus livros, sempre com histórias de advogados, julgamentos e as fileiras do direito:
A Firma (The Firm, 1993) de Sidney Pollack * [Série de TV em 2022];
O Dossiê Pelicano (The Pelican Brief, 1993) de Alan J. Pakula;
O Cliente (The Client, 1994) de Joel Schumacher * [Série de TV entre 1995-96);
Tempo de Matar (A Time to Kill, 1996) de Joel Schumacher;
O Segredo (The Chamber, 1996) de James Foley;
O Homem que Fazia Chover (1997) * Série de TV em 2025);
Todos dos anos 90, exceto O Júri (Runaway Jury, 2003) Gary Fleder.

























