Amizade Colorida (Friends With Benefits, 2011) de Will Gluck
A comédia romântica é um dos gêneros mais codificados do cinema, onde o público frequentemente caminha por estradas já amplamente conhecidas. O grande trunfo, portanto, não reside em esconder o destino final, mas sim em tornar a jornada o mais prazerosa possível.
É exatamente isso o que acontece no divertido Amizade Colorida (Friends With Benefits, 2011), longa-metragem que já se encontra disponível no mercado de locadoras e plataformas digitais. O roteiro acompanha a trajetória de Dylan (Justin Timberlake, mostrando-se muito à vontade em cena), um brilhante editor de arte de Los Angeles que aceita uma irrecusável proposta de emprego em Nova York feita por Jamie (Mila Kunis), uma obstinada caça-talentos executiva.
A partir dessa premissa, nós já sabemos perfeitamente o que vai acontecer quando os dois decidem manter relações puramente físicas sem o peso do envolvimento emocional. No entanto, o filme triunfa ao se assumir como uma boa produção de estúdio, sintonizada com os temas extremamente atuais de sua época, como a febre da internet, o universo da informação rápida e a inclusão de dinâmicas urbanas modernas como o flash mob.
O grande trunfo do diretor Will Gluck reside justamente em seu histórico e na sua reconhecida carreira em comandar comédias juvenis de ritmo ágil, vide o sucesso de A Mentira (2010), o que confere a este longa uma condução dinâmica e sagaz.
O coração da obra bate forte graças ao seu elenco perfeitamente escalado. Justin Timberlake e Mila Kunis formam um casal transbordando de química, entregando diálogos rápidos que testam os limites da amizade e do desejo. Will Gluck demonstra uma habilidade única para desenhar um bom jogo com as situações cotidianas: destaca-se o truque de montagem inicial com dois encontros e términos simultâneos que possuem o mesmo propósito dramático, além de uma constante e inteligente brincadeira com os clichês tradicionais das comédias românticas clássicas de Hollywood.

O que embola um pouco o meio de campo da narrativa e estica desnecessariamente a duração é um recheio de roteiro ligeiramente repetitivo, exemplificado pelas transas do casal sendo narradas exaustivamente quase como se fossem um manual de instruções mecânico, além da batida historinha de esconde-esconde com os próprios sentimentos afetivos.
Porém, esses pequenos deslizes rítmicos são facilmente eclipsados pelas participações espetaculares do elenco de apoio. Temos a presença do ótimo Richard Jenkins interpretando o pai de Timberlake em um arco dramático tocante; a classe incontestável da fantástica Patricia Clarkson, que rouba a cena como a mãe doidona e libertária de Kunis; um divertido Woody Harrelson encarnando um editor de esportes homossexual de forma natural e sem nenhum tipo de estardalhaço caricato, além de uma ponta engraçadinha de Emma Stone surgindo como a ex-namorada neurótica do protagonista.
Em suma, Amizade Colorida entrega um resultado bom e muito acima da média do gênero. É uma fita que diverte bem como uma tradicional comédia romântica de outrora, provando que um elenco carismático e um diretor talentoso conseguem renovar até mesmo as fórmulas mais previsíveis do cinema.


























