Nos Bastidores do Fenômeno “Michael” (2026)
No vibrante cenário do jornalismo cultural contemporâneo, poucas coberturas carregam tanto peso histórico e frisson global quanto a oportunidade de dialogar diretamente com o epicentro de um verdadeiro fenômeno cinematográfico. Foi com esse espírito que participamos da coletiva de imprensa virtual organizada pela Universal Pictures. O evento de escala mundial reuniu os principais veículos e correspondentes da imprensa cinematográfica para discutir o estrondoso sucesso de “Michael” (2026), a cinebiografia (com acontecimentos até 1988) do Rei do Pop.
O encontro ganhou contornos ainda mais especiais para o nosso veículo, que teve a honra e o privilégio de formular a primeiríssima pergunta da sabatina a Jaafar Jackson. A escolha do protagonista já era, por si só, um acontecimento: Jaafar não apenas vive o astro nas telas com um mimetismo impressionante, mas também carrega o DNA do mito em suas veias, sendo sobrinho do próprio cantor.
Durante a conversa, o jovem ator abriu o jogo e revelou, com surpreendente maturidade, o monumental desafio psicológico e físico de traduzir para as telas a genialidade, os dilemas e a complexidade de um dos maiores artistas que a humanidade já viu.
O resultado dessa entrega visceral transcendeu as expectativas artísticas, convertendo-se em um marco comercial sem precedentes. O longa-metragem “Michael” quebrou recordes históricos e já atinge números de bilheteria que beiram a impressionante marca de 1 bilhão de dólares em arrecadação mundial, consagrando-se oficialmente como a biografia musical de maior faturamento de toda a história do cinema.

Abaixo, você confere a nossa pergunta de abertura e os principais trechos dessa conversa histórica, onde Jaafar Jackson revela como transformou a pressão familiar e o escrutínio público em uma das performances mais comentadas do ano:
CLUBE CINEMA – pergunta: O que foi mais desafiador na sua opinião, preparar-se para interpretar Michael Jackson, o Rei do Pop, ou interpretar o seu próprio tio?
JAAFAR JACKSON: Essa é uma boa pergunta. Eu diria que ambos foram desafiadores. Sabe, eu analisei a situação sob ambas as perspectivas, mas também quis deixar de lado o fato de ser um membro da família e encarar tudo desde o início, como se eu não soubesse nada sobre Michael Jackson.
Então, li muitos livros, ouvi novamente todas as músicas — desde o Jackson 5 até os álbuns solo — e busquei realmente compreender melhor quem ele era como pessoa. O fato de eu ser da família me permitiu recorrer às minhas próprias memórias pessoais e conversar com alguns familiares para captar certas nuances que talvez não se encontrem em livros, vídeos ou na internet. Por isso, diria que ambos foram grandes desafios; tratou-se, acima de tudo, de aprender a separar as coisas e encontrar um equilíbrio entre os dois papéis.
PERGUNTA: Michael costumava dizer que queria manter um senso de encantamento infantil em relação ao mundo. O que você acha que podemos aprender com essa filosofia hoje em dia?
JAAFAR JACKSON: Hum. É uma filosofia linda, porque ver o mundo pelos olhos de uma criança, eu acho, realmente ajuda a simplificar a vida. Você não complica demais as coisas, e isso é algo que aprendi muito no processo de ver certas situações sob a ótica de uma criança. E de não pensar demais nas coisas; tudo vem de um sentimento, de uma inocência e de uma pureza pelas quais Michael realmente se sentia atraído. É por isso que ele sempre quis criar a partir desse lugar — desde o processo de composição até a dança —, para manter sempre a curiosidade e não se deixar levar pelo ceticismo ou pelo desgaste que a vida pode trazer.
E isso me inspirou a aplicar essa postura ao meu próprio trabalho, à forma como aprendo coisas novas e até mesmo no set de filmagem. Manter sempre a curiosidade, fazer perguntas e nunca sentir que estou passando dos limites ao fazer isso. Se não sei algo, gosto de perguntar, entender os detalhes e absorver tudo como uma esponja. Então, acho que isso é muito importante — e é algo de que o mundo de hoje precisa mais, eu diria.

PERGUNTA:
Michael Jackson, além de seu canto de lirismo singular, é um símbolo de excelência física na dança. Qual foi o processo de compreender aquele corpo, aqueles pés, aquela dança? E como você dança hoje?
JAAFAR JACKSON: Essa foi uma parte incrivelmente desafiadora de realmente incorporar o personagem Michael, porque estamos tão acostumados a ver como ele se apresenta no palco e aquele tipo de energia que ele tem. E então, tentar não copiar, mas sentir isso por conta própria. E, para mim, tudo se resumia ao sentimento. E levou um tempo para chegar ao ponto em que eu me sentia confiante, onde eu podia olhar no espelho enquanto me apresentava — ou melhor, enquanto ensaiava — e meio que enganar a mim mesmo, pensando: “Nossa, isso realmente saiu exatamente como o Michael fazia”. Ou “eu acertei aquele giro do jeito que ele acertava”. E não era muito consistente nos primeiros dois anos, mas continuei me esforçando para melhorar cada vez mais e ter aquela mentalidade perfeccionista.
E foi muito exaustivo no começo; eu ficava muito autoconsciente em relação ao meu próprio corpo e a realmente entender a transferência de peso e o tipo de peso que eu precisava perder para chegar àquela estrutura física,
e como os movimentos eram sentidos com isso. E, com o passar do tempo, foi ficando cada vez melhor. Mas também havia a questão de construir resistência, porque fazer uma apresentação do início ao fim com aquele tipo de energia exige muito. E depois, transpor isso para o set de filmagem, onde você pode ter que fazer 10, 15, 20 tomadas, do começo ao fim.
Mas garantir que a primeira tomada ainda tivesse a mesma energia da vigésima. E eu trabalhei nisso durante a preparação. Então, para mim, a forma de me preparar foi através da repetição. Continue fazendo isso repetidamente até não conseguir mais. E eu fui ficando cada vez mais forte com o passar do tempo. Então, quando eu chegava ao set e me pediam para fazer aqueles números e apresentações grandiosos, eu tinha confiança suficiente para dizer a mim mesmo: “Eu consigo fazer isso. Consigo fazer 15 tomadas, 20 tomadas, 25, e seguir qualquer direção”. Então, para mim, tratava-se realmente de garantir, durante o processo de preparação, que eu mergulhasse em tudo isso da maneira mais desafiadora possível.

PERGUNTA:
Então foi muito desafiador, fisicamente falando, claro…
JAAFAR JACKSON: Sim, eu pensava: há também muita física envolvida na maneira como ele se move. Eu estava lendo sobre como, sabe, ele queria que a gravata se movesse de uma maneira específica, e você disse que eles descobriram que precisavam colocar uma moeda nela só para conseguir aquele movimento de virada perfeito. Quer dizer, coisas assim exigem repetição e geometria.
É, e o que eu adorava na maneira como o Michael via, sabe, o lado da dança nas apresentações… ele era muito visual. E ele sempre queria criar algo novo. E ser um pioneiro nessa área, fosse na música, no espetáculo da apresentação ou em certos movimentos, para que nada parecesse estar sendo repetido exaustivamente. Ele sempre queria surpreender, proporcionar aquele grande elemento de surpresa para as pessoas que o viam se apresentar. E isso realmente me permitiu prestar atenção a todos os pequenos detalhes de como ele girava. Podia ser diferente de outra música, além das diferentes poses e do tipo de energia, e realmente aprender o significado por trás dos movimentos.
E, depois que fiz isso, consegui entender quanta energia aplicar em determinado movimento, como guardar um pouco para o refrão ou para a parte B da música, para que tudo soe bem dinâmico, e não monótono. E isso realmente veio de prestar muita atenção a todos os detalhes das apresentações dele.

PERGUNTA:
Qual coreografia ou apresentação musical exigiu o maior esforço físico de você, e quantas horas por dia você tinha que ensaiar?
JAAFAR JACKSON: Provavelmente a apresentação de “Billie Jean” no *Motown 25* (anos, especial para TV). Porque acho que foi a música mais longa, do início ao fim, com a maior quantidade de coreografia que eu tive que executar. E o que tornou tudo realmente desafiador é que tinha que ser, quadro a quadro, exatamente o que o Michael fez na apresentação. Então, essa foi a música que mais pratiquei de todas as apresentações. E foi a primeira música cuja coreografia aprendi, dentre todas as que apresentamos. No início, eu praticava cerca de três horas por dia especificamente essa música. Depois, esse tempo foi aumentando cada vez mais. Eu fazia questão de realizar aquela apresentação pelo menos 20 vezes por dia, do início ao fim.
Mesmo que, tipo, depois da décima vez, eu estivesse incrivelmente cansado. Mas, com o passar dos anos — lá pelo terceiro ano —, eu conseguia fazer mais de 20 vezes. E cheguei a um ponto em que colocava a gravação original do *Motown 25* atrás de mim e via o reflexo no espelho onde eu ensaiava. Eu me certificava de acertar cada pose; o *timing* e o ritmo tinham que estar em perfeita sintonia com os do Michael, não só para parecer idêntico, mas para garantir que a emoção não se perdesse.
Porque eu não queria apenas copiar os movimentos sem que houvesse emoção por trás da apresentação. Eu queria sentir exatamente o que o Michael sentiu naquela apresentação. Então, compreender os bastidores, o significado daquele momento incrível na carreira do Michael, o que aquilo representou para ele e como isso mudou a trajetória de *Thriller*… E também a mentalidade com que ele encarou aquela apresentação. Ter tudo isso em mente e compreender esses aspectos me ajudou a entender melhor como transmitir a mesma energia que ele emanava ao se apresentar.
Clique abaixo para ler as duas críticas publicadas no Clube Cinema sobre a cinebiografia “Michael” (2026) de Antoine Fucqua:
“Michael” é uma cinebio para quem se permite ver além do espetáculo
Cinebiografia de “Michael” vira um clipão com resumo da sua carreira (até 1987/88)






















