Assassinos de Aluguel (Freelancers, 2012) de Jessy Terrero
No vasto oceano de produções de Hollywood, existem obras que falham por excesso de ambição e outras que simplesmente sabotam qualquer vestígio de dignidade cinematográfica. Assassinos de Aluguel (Freelancers, 2012), desastroso projeto capitaneado pelo diretor Jessy Terrero, posiciona-se com louvor nesta segunda e lamentável categoria. O longa-metragem tenta se disfarçar como um drama policial tenso e urbano, mas basta o espectador encarar os primeiros minutos de projeção para perceber que está diante de um verdadeiro desastre estético, um lixo completo que agride o bom gosto e subestima a inteligência do público do início ao fim.
A premissa da narrativa recicla os clichês mais batidos e desgastados da história do gênero. Acompanhamos a trajetória de Malo, o filho de um ex-policial assassinado em serviço, interpretado pelo rapper 50 Cent — que, para a infelicidade geral, simplesmente não atua, mantendo a mesma expressão engessada e vazia ao longo de toda a fita. Ele decide deixar para trás a malandragem das ruas e seguir os passos de seu falecido pai. Contudo, ao se tornar um homem da lei recém-formado na academia, o ex-parceiro de seu pai, vivido por Robert De Niro, decide fazer uma proposta corrupta para que o jovem se envolva com esquemas clandestinos, encaixando-o imediatamente como a dupla de um policial experiente e profundamente desonesto, papel defendido por Forest Whitaker. A partir desse estopim, a trama despenca ladeira abaixo, arrastando o protagonista e o espectador para um envolvimento repetitivo com assassinatos brutais, tráfico de drogas, prostituição e outros crimes de rua.
O que torna a experiência de assistir a essa produção algo genuinamente doloroso é o desperdício ultrajante de talento e o sentimento indisfarçável de vergonha coletiva. O roteiro até possuía em mãos um material que poderia resultar em algo pelo menos interessante e de viés social, caso decidisse mergulhar de verdade na engrenagem da violência, no submundo das drogas ou se propusesse a levantar discussões sérias sobre o racismo institucionalizado nas corporações. Em vez disso, o filme prefere o caminho da mediocridade absoluta, servindo apenas para deixar perdidos e desonrados os oscarizados Forest Whitaker e Robert De Niro, que entregam performances visivelmente motivadas apenas pelo pagamento do cachê, operando no piloto automático.

Do ponto de vista estritamente técnico, a direção de Jessy Terrero é de uma precariedade assustadora. Estamos falando de uma fita policial completamente amadora, cuja realização é tão grosseira que chega a espantar. A montagem é costurada por cortes televisivos abruptos e toscos entre as ações, destruindo qualquer senso de continuidade temporal ou espacial.
As sequências de ação parecem saídas de uma produção de baixo orçamento feita diretamente para a TV nos anos noventa, repletas de situações horrendas, diálogos imbecis e uma trilha sonora genérica que tenta, em vão, injetar um falso dinamismo nas cenas. Não há design de produção digno, não há cuidado com a iluminação e muito menos um roteiro minimamente coerente. Assassinos de Aluguel é o exemplo perfeito de como o cinema de entretenimento pode ser rebaixado ao nível mais rasteiro possível; um desserviço completo que não serve nem como passatempo descartável e merece ser esquecido no fundo mais escuro do esquecimento.
O DVD disponibilizado não possui extras.


























