
La La Land – Cantando Estações (2016) de Damien Chazelle
”La La Land” é um filme sobre amor e cinema. É também um filme sobre o amor ao cinema. É a estória de duas pessoas apaixonadas por seus sonhos e que se apaixonam uma pela outra no meio do caminho. As paixões dos protagonistas (Ryan Gosling e Emma Stone, excelentes) são exatamente música e cinema.
Não por acaso a produção vem em formato musical prestando assim uma grande homenagem à Hollywood dos anos dourados (clássicos como “Casablanca” (1942) ou “Juventude Transviada” (1955) são referências para os personagens). Com esse nostálgico pano de fundo, e tendo como cenário uma cinematográfica Los Angeles, os dois cantam sonhos e emocionam com a voz e o olhar. Ao mesmo tempo tão tradicional o filme é ricamente inovador e refrescante em ambos quesitos técnicos (o incrível plano sequência inicial, a fotografia de encher os olhos) e narrativos.

“La La Land” vem embalado como um típico romance de cinema porém, quando menos esperamos, se torna absolutamente plausível e verdadeiro, sendo muito mais uma celebração ao amor próprio. É nesse paradoxo entre a ilusão e a realidade que o filme caminha de forma despretenciosa e encantadora. É cinema para ver, ouvir e sentir com o coração.
Até porque, “La La Land” é uma lição de como ser adulto. Em um dos momentos do filme o personagem de Ryan Gosling diz para Emma Stone: “Pare de ser um bebê!”. Ela já fez dezenas de testes e as coisas simplesmente não dão certo. Ela está cansada de tentar. Ela se sente um fracasso. E quem nunca se sentiu assim? Quem nunca se perguntou: “E se eu apenas não for bom o bastante para realizar os meus sonhos?”. Quem nunca passou uma noite em claro se perguntando: “O que eu vou fazer da minha vida?”. O fracasso pode vir até para os bons. E no amor? Quem nunca amou tanto alguém mas teve aquela certeza que no fundo não vão acabar juntos? Quem nunca pensou em desistir de tentar? E cansou de lutar.
O que me causa tanta empatia é o fato que eu já estive nessas mesmas situações. Todos nós já estivemos. E a vida segue. Fracassos, sucessos. Amores, decepções. Sonhos, ilusões. Mas não é disso que a vida é feita? A mensagem que fica é que quase nunca, por mais esforços que fizermos, vamos ter tudo o que queremos da vida. De qualquer forma um coração partido, por qualquer motivo que seja, significa que tentamos. E que podemos seguir em frente mesmo machucados. Essa é a vida adulta na qual pode existir beleza mesmo na tristeza.

Recém chegado à categoria de clássico, 10 anos após estrear nos cinemas, reassistir “La La Land” (2016) na tela grande é uma experiência tocante e inesquecível. E para deixar registrado, o romance musical concorreu em 14 categorias no Oscar 2017, vencendo seis estatuetas (Melhor Direção – Damien Chazelle; Atriz – Emma Stone; Fotografia; Trilha Sonora; Canção Original (City of Stars); e Desenho de Produção. Já no Globo de Ouro foram sete indicações e sete vitórias: Melhor Filme (comédia ou musical); Direção; Atriz (comédia ou musical – Emma Stone); Ator (comédia ou musical – Ryan Gosling); Roteiro; Trilha Sonora; e Canção Original (City of Stars).























