Ghostbusters: Apocalipse de Gelo (Ghostbusters: Frozen Empire, 2024) de Gil Kenan
Existem franquias que parecem lutar constantemente contra o próprio peso de seu legado. Em Ghostbusters: Apocalipse de Gelo (Ghostbusters: Frozen Empire, 2024) de Gil Kenan, essa batalha não apenas é perdida, como resulta em uma das experiências mais apáticas da saga dos Caça-Fantasmas.
Diante de uma história ruim — que simplesmente não engrena na comédia, não cola na construção de sua mitologia mística e apresenta uma aventura desprovida de ritmo —, à produção só resta apelar desesperadamente para a nostalgia mais rasteira. Em vez de avançar com o universo expandido, o espectador é tragado para uma sequência interminável de momentos de fan service, repleta de referências e reverências explícitas aos dois primeiros filmes (1984 e 1989). O problema é que essas piscadelas para o público veterano apenas variam entre o meramente “OK” e o burocrático satisfatório, passando longe de empolgar.
Essa falta de energia é ainda mais gritante quando comparada à produção anterior, Ghostbusters: Mais Além (Afterlife, 2021). O longa de 2021 conseguiu a proeza de equilibrar o respeito ao passado com a introdução de uma nova e carismática geração, injetando coração e frescor na marca. Em contrapartida, Apocalipse Gelado joga fora o avanço alcançado. O roteiro inchado tenta equilibrar tantos personagens — entre a nova família Spengler e o retorno do elenco original — que ninguém recebe o tempo de tela necessário para desenvolver um arco dramático real. O clima de nostalgia, que funcionou de forma tão orgânica e emocionante no longa anterior, aqui falha miseravelmente por parecer puramente mercadológico.

Longe do memorável que definiu os anos 1980, o novo capítulo da franquia se apoia no passado não para homenageá-lo, mas para esconder a ausência de novas ideias. Apostando forte na nostalgia, a produção traz de volta os veteranos Dan Aykroyd, Bill Murray e Ernie Hudson, ao lado da nova geração composta por Paul Rudd, Carrie Coon, Finn Wolfhard e Mckenna Grace. A direção ficou a cargo de Gil Kenan, que também assina o roteiro junto com Jason Reitman, diretor do filme anterior e filho de Ivan Reitman, que assina os dois primeiros filmes de 1984 e 1989.
Grande parte do fracasso em estabelecer uma atmosfera envolvente vem da inabilidade do diretor Gil Kenan – que convive com a sombra do sucesso de A Casa Monstro (2006) e o fracasso do remake de Poltergeist: O Fenômeno (2015) – em criar momentos genuinamente “mágicos” ou que, pelo menos, o espectador consiga lembrar após a sessão.

Onde Ivan Reitman conseguia extrair o icônico do mundano — seja com a gosma verde, os cachorros do terror ou a presença imponente do Homem de Vitrine de Marshmallow —, a direção atual entrega uma sucessão de efeitos visuais genéricos de gelo e fumaça que carecem de identidade visual. Não há uma única cena que crave o filme no imaginário popular, deixando a produção a anos-luz do status memorável que consagrou os longas originais.
Ao final, a sensação que fica é a de uma grande ideia desperdiçada, um projeto executado sem paixão, concebido apenas para fazer a “roda de Hollywood continuar a girar” e garantir a venda de novos produtos licenciados. O espectador que buscava a sagacidade do humor característico do grupo ou o arrepio de uma boa aventura de ficção científica sai da sala de cinema com a frustração de ter assistido a um produto protocolar, frio e sem alma.


























