Busca Implacável 2 (Taken, 2012) de Olivier Megaton
No ano de 2008, o cenário do cinema de ação foi sacudido por um fenômeno inesperado. Um modesto projeto de baixo orçamento, estrelado por um ator dramático de imenso respeito, custou quase nada para os padrões de Hollywood e acabou rendendo horrores nas bilheterias mundiais. Naquela ocasião, tratava-se de uma obra que mesclava ação frenética, pancadaria seca, investigação policial e até algum suspense que divertia o público perfeitamente, sem maiores problemas com a consciência crítica. O grande trunfo ali era evidente: a presença magnética de Liam Neeson à frente de uma simples fita de pancadaria transformava o comum em bom. Não era muito, mas já se provava demais para as expectativas da época.
A produção em questão era Taken (que no Brasil recebeu o genérico e direto título de Busca Implacável). Na trama original, o ex-agente do governo americano Bryan Mills escutava, impotente pelo celular, o exato momento em que sua filha era sequestrada em Paris, iniciando uma caçada implacável na capital francesa, onde passava o rodo em meio mundo para salvar sua cria do submundo do tráfico humano.
Contudo, o sucesso comercial inevitavelmente cobra o seu preço em forma de sequências, e agora testemunhamos a consequência direta daquela carnificina em Busca Implacável 2 (Taken, 2012), projeto que passa o leme da direção para as mãos de Olivier Megaton. O roteiro parte de uma premissa até verossímil dentro daquele universo: os criminosos brutalmente assassinados por Mills no primeiro longa pertenciam a uma clã mafioso da Albânia, e o patriarca dessa família de vilões (interpretado por Rade Šerbedžija) jura vingança de sangue contra o americano e todos os seus familiares. Dessa vez, a dinâmica se inverte ligeiramente: Mills e sua ex-esposa (Famke Janssen) são os capturados durante uma viagem a Istambul, dependendo da ajuda da filha (Maggie Grace) para conseguir a liberdade.

A produção comandada por Luc Besson (que assina o roteiro ao lado do veterano Robert Mark Kamen) mantém aquela conhecida atmosfera inspirada na franquia de Jason Bourne, com cortes rápidos e câmeras trêmulas. Todavia, este segundo capítulo assume um tom consideravelmente mais mentiroso e exagerado que seu antecessor espiritual. A sequência em que Mills dita coordenadas geográficas complexas para a filha por telefone usando o som de granadas explodindo, ou o momento em que armas e munições surgem magicamente através de uma tubulação de hotel, quebram qualquer senso de realidade e estabelecem recordes de absurdos inverossímeis na franquia.
Apesar de a direção de Olivier Megaton (Carga Explosiva 3, 2008; Colombiana – Em Busca de Vingança, 2011; e que viria a dirigir o terceiro Busca Implacável, em 2014) ser visivelmente mais confusa e menos inspirada nas coreografias de combate do que a do filme original, o longa-metragem não desmorona por completo graças ao seu pilar principal.
Sim, Liam Neeson continua fazendo toda a diferença em cena, conferindo gravidade, peso físico e uma dignidade impressionante a diálogos que poderiam soar ridículos na boca de qualquer outro astro de ação. Embora esta segunda busca não se revele tão genuinamente implacável quanto a primeira, ela ainda se sustenta como uma diversão garantida e descompromissada de fim de semana. E diante do motor financeiro da indústria, não se espante se um terceiro capítulo surgir nos próximos anos para fechar essa trilogia do suor e do resgate.
INFORMAÇÕES ESPECIAIS
Liam Neeson indicado ao Oscar e Globo de Ouro por A Lista de Schindler (1993); Indicado ao Globo de Ouro por Kinsey (2004) e Michael Collins (1996), pelo qual ganhou a Copa Volpi de melhor ator em Veneza; Famke Jenssen é mais conhecida por ser a Fênix/Jean Grey na franquia X-Men (2000; 2004; 2006); Maggie Grace atuou em Sequestro no Espaço (2012) e é a Irina Denali de Amanhecer – Parte 1 e 2 (2011; 2012); Rade Serbedjidza atuou em O Santo (1997), De Olhos Bem Fechados (1999) e Snatch – Porcos e Diamantes (2000).

























