Ligados pelo Amor (Writers/Stuck in Love, 2012) de Josh Boone
Ao analisarmos Ligados pelo Amor (Stuck in Love, 2012) mais de dez anos após o seu lançamento original, percebemos como o tempo fez bem a este sensível mosaico de relações humanas. Dirigido e roteirizado por Josh Boone, o longa sobrevive ao teste do tempo justamente por se afastar dos clichês açucarados do gênero, entregando um estudo de personagens maduro, melancólico e embebido de uma sensibilidade bonita. Embora o título nacional seja genérico e comum demais para uma história tão boa, a produção se consolida na prateleira de casa como uma recomendação perfeita tanto para os amantes do romance puro quanto para aqueles que buscam uma comédia romântica mais inteligente e estruturada.
A trama acompanha as crises românticas e existenciais de uma família de escritores. Três anos após o divórcio, o experiente romancista Bill Borgens (Greg Kinnear, indicado ao Oscar por Melhor É Impossível) permanece completamente parado no tempo. Incapaz de esquecer o passado, ele espiona a ex-mulher, Erica (Jennifer Connelly, vencedora do Oscar por Uma Mente Brilhante), que o trocou por um homem mais jovem.
Nem mesmo as investidas sexuais de sua vizinha e amiga colorida, Tricia (Kristen Bell, de Ressaca de Amor), conseguem trazê-lo de volta à ativa. Em paralelo, sua filha independente, Samantha (Lily Collins, de Espelho, Espelho Meu), comemora a publicação de seu primeiro romance enquanto evita as possibilidades do amor oferecidas por um colega de faculdade e romântico incurável, vivido por Logan Lerman (de As Vantagens de Ser Invisível). Fechando o núcleo, o filho adolescente Rusty (Nat Wolff, de A Seleção) tenta encontrar seu caminho na literatura de fantasia ao mesmo tempo em que vive um romance inesperado com Kate (Liana Liberato), uma garota ideal que esconde problemas perturbadores.
Do ponto de vista da análise fílmica, o grande trunfo da obra reside em seu entrelaçado de histórias críveis. Josh Boone constrói um ecossistema onde sexo, drogas, amores possíveis e impossíveis, recomeços e descobertas se alimentam mutuamente. Tudo o que é vivido por esses personagens é catalisado e reescrito em novas histórias literárias: o pai busca uma nova inspiração, a filha desponta como revelação das letras e o filho procura trilhar o próprio caminho.

O elenco de apoio estrelado entrega uma química formidável, destacando-se o fato de Jennifer Connelly (absurdamente linda) e Lily Collins realmente se parecerem fisicamente como mãe e filha. O difícil relacionamento pessoal entre as duas injeta um excelente nível de dramaticidade à narrativa.
Os melhores momentos do filme pontuam essa dinâmica com precisão, como os reencontros repletos de flertes e tons dramáticos entre Kinnear e Connelly, além do nível máximo de despacho e pragmatismo demonstrado pela inteligente Samantha de Lily Collins. As aparições rápidas de Kristen Bell oferecem ótimos toques de realidade ao escritor empacado, enquanto o contato entre Rusty — um fã assumido de Stephen King — e seu ídolo literário acontece de forma surpreendente e natural. Como ponto fraco, a atuação de Liana Liberato decepciona pontualmente, pois a intérprete de Kate parece pouco interessada e passa uma impressão apagada em cena.
Ainda assim, o saldo é amplamente positivo. Foi o sucesso e a boa recepção crítica desta fita que chancelaram a contratação de Josh Boone para dirigir a célebre adaptação de A Culpa é das Estrelas anos depois. Ligados pelo Amor permanece como um belo e terno lembrete de que, para os escritores e para os apaixonados, a vida e a arte são indissociáveis.























