
Predador: Terras Selvagens (Badlands, 2025) de Dan Trachtenberg
Depois do aclamado O Predador: A Caçada (Predator: Prey, 2022), o diretor Dan Trachtenberg provou que entende o DNA da franquia. Por isso, a expectativa para Predador: Terras Selvagens (Predator: Badlands, 2025) eram as melhores possíveis. O resultado final, no entanto, entrega um espetáculo visual impecável, mas derrapa feio na essência de um dos monstros mais implacável do cinema.
Se você vai ao cinema para ver o Predador fazer o que sabe de melhor — caçar —, o filme não decepciona. As sequências de embate são o ponto alto da produção. Trachtenberg conduz as cenas de ação com um ritmo frenético e uma coreografia violenta que prende o espectador na poltrona.
O grande mérito aqui vai para a produção técnica. Em uma Hollywood cada vez mais saturada por telas verdes artificiais, “Terras Selvagens” brilha ao apostar alto no uso expressivo de efeitos práticos e maquiagem.
Ao priorizar figurinos reais, bonecos animatrônicos e sets reais no lugar do CGI, a direção trouxe de volta a atmosfera tátil dos primeiros filmes. Confeccionada de forma totalmente prática, a icônica roupa do Predador exigiu o máximo do elenco e dos dublês por trás da máscara — um esforço físico que se traduz em movimentos pesados, críveis e cheios de ameaça. Há textura na criatura, um peso em sua armadura e o sangue alienígena parecem reais. Quando o CGI (efeitos digitais) entra em cena, ele serve como um ótimo complemento para refinar a tecnologia Yautja ou em cenários complexos, sem nunca parecer falso. Um alívio para os fãs do cinema à moda antiga.
Mas vamos aos fatos, o protagonista deste novo filme do Predador virou um “garoto bonzinho”… Isso aponta que, infelizmente, o seu roteiro errou. A narrativa decide trilhar um caminho onde o Predador desenvolve uma parceria muito amigável com seus coadjuvantes. Para um personagem construído ao longo de décadas como uma persona dura, forte, implacável e que caça quase que exclusivamente por orgulho e vanglória, essa “humanização” soa pouco crível. O Predador não é um herói incompreendido; ele é um caçador de troféus intergaláctico.

Para piorar a quebra de tom, o filme insere seres bonitinhos, como pequenos animais da floresta que orbitam a trama. Essa tentativa de gerar apelo fofo ou momentos de alívio cômico destoa completamente da atmosfera de suspense e terror que consagrou a franquia desde 1987, com o primeiro “Predador”, estrelado por Arnold Scharzennegger.
“Predador: Terras Selvagens” fica no meio do caminho. É um filme tecnicamente irrepreensível, divertido em suas cenas de combate, mas que falha em respeitar a mitologia do seu próprio monstro. O diretor já provou que sabe fazer um filme do Predador de respeito. Fica a esperança para que, em um próximo capítulo, ele volte com novas ideias: mais violentas, cruas e condizentes com o verdadeiro espírito do caçador mais perigoso da galáxia (e do cinema).


























