
Pura Adrenalina (Nuit Blanche, 2011) de Frederic Jardin
Se você analisar a premissa de forma estritamente superficial, perceberá de imediato que não há absolutamente nada de novo na trama que move Pura Adrenalina (Nuit Blanche, 2011). O roteiro reconta uma fórmula amplamente desgastada pelo cinema de gênero: acompanhamos um policial que possui conexões perigosas com o submundo do crime local. Junto com seu parceiro de farda, ele arma um golpe ousado e rouba vários quilos de cocaína pertencentes a um poderoso mafioso da região. Contudo, ao ser devidamente reconhecido durante a ação, o protagonista se vê encurralado em uma jogada brutal que coloca em risco direto a vida de seu próprio filho. A partir desse instante, sua única alternativa de sobrevivência depende da devolução imediata das drogas para ter a criança de volta.
Os passos seguidos pela narrativa são exatamente os mesmos de muitas fitas policiais clássicas que habitam o imaginário do público. Temos a figura do agente da lei que comete um crime de oportunidade e, como consequência direta de seus atos erráticos, testemunha o sequestro do filho. A partir desse estopim, a sua missão exclusiva passa a ser resgatá-lo das garras dos bandidos, custe o que custar.
No entanto, para absorver a verdadeira essência desta obra espetacular, o primeiro passo fundamental é esquecer por completo o genérico e preguiçoso título nacional. Apesar de à primeira vista parecer apenas mais um filme de ação americano formulaico ou uma produção de baixo orçamento feita diretamente para a televisão, esta obra-prima vem da França. Sob o comando firme do diretor Frédéric Jardin, o longa-metragem se revela uma experiência tensa e meia, que subverte o clichê por meio de sua execução técnica impecável. O que de fato o diferencia da enorme massa de filmes do gênero é a sua forma implacável de conduzir a narrativa através de uma potente e sufocante linguagem visual.
O cinema praticado por Jardin é estruturado praticamente em um ritmo de respiração ofegante. A câmera na mão persegue os personagens de forma obsessiva pelos corredores, capturando o suor, o pânico e o desespero em tempo real. O tom adotado pelo diretor é assumidamente violento, mas essa crueza física se faz essencial dentro do escopo dramático da trama, abrindo espaço pontualmente para pitadas cirúrgicas de um humor ácido e involuntário.
Toda a engrenagem de ação ocorre concentrada noite adentro, claustrofobicamente ambientada no interior de uma gigantesca boate lotada. Esse cenário caótico serve de arena para um embate que envolve dois traficantes turcos implacáveis, um herói de moral ambígua e uma policial obstinada em busca da verdade. Diante desse panorama eletrizante, fica a garantia de que a noite será longa, agitada e extremamente satisfatória para quem é fã de narrativas de ação. Pura Adrenalina pode parecer comum em seu resumo de gaveta, mas firma-se como uma fita policial surpreendente e uma belíssima descoberta para qualquer apreciador do bom cinema.
O DVD disponibilizado não possui extras.


























