Sequestro no Espaço (Lockout, 2012) de Mather & St. Leger
No vasto panorama das produções de ficção científica, existem aquelas obras que buscam revolucionar o gênero por meio de conceitos filosóficos complexos e aquelas que simplesmente abraçam o absurdo para entregar entretenimento puro. Sequestro no Espaço (Lockout, 2012), projeto capitaneado pela dupla de diretores James Mather e Stephen St. Leger, posiciona-se orgulhosamente na segunda categoria. Já imaginou a atmosfera cínica de um tradicional filme policial noir misturada com a crueza de uma narrativa de sobrevivência ao estilo de Fuga de Absolom (1994), só que totalmente ambientada no vácuo sideral? Se adicionarmos a isso uma clássica missão de resgate desesperada, temos a fórmula exata que rege esta produção.
Pois é, toda essa mistureba de referências e conceitos saídos diretamente dos anos oitenta e noventa vem da mente criativa e sempre borbulhante do cineasta francês Luc Besson, que assina aqui a produção executiva e o roteiro do longa. Besson, um veterano do gênero conhecido por criar o visual espalhafatoso de O Quinto Elemento, une forças com um elenco liderado por Guy Pearce e Maggie Grace. Na trama, Pearce interpreta Snow, um agente secreto durão que, após se envolver em uma missão secreta mal-sucedida, acaba injustamente acusado de cometer espionagem contra o governo dos Estados Unidos. Contudo, para conquistar a sua liberdade de volta e limpar o seu nome, ele é forçado a aceitar uma missão suicida: resgatar a filha do presidente americano, vivida por Maggie Grace, que foi feita como refém durante uma violenta rebelião em uma prisão de segurança máxima flutuando no espaço.

O roteiro não faz o menor esforço para esconder seus clichês, espalhando-os de forma deliberada ao longo das cenas. Está tudo lá para o espectador identificar: o policial durão e sarcástico que não dispensa o cigarro mesmo em ambientes altamente tecnológicos, a mulher que inicialmente precisa de ajuda mas logo se torna parte ativa do problema, e os inevitáveis conflitos burocráticos com os poderosos chefões da lei que monitoram tudo à distância através de monitores na Terra.
Do ponto de vista estritamente técnico, a direção de Mather e St. Leger aposta em uma estética de videoclipe, com cortes rápidos e uma computação gráfica que, embora por vezes pareça datada e artificial, combina perfeitamente com a atmosfera de história em quadrinhos da fita. Guy Pearce entrega o cinismo necessário para fazer o protagonista funcionar, disparando frases de efeito no meio de tiroteios e explosões, enquanto Maggie Grace sai com dignidade do papel da donzela em perigo ao demonstrar uma boa química com seu salvador.
No final das contas, Sequestro no Espaço estabelece-se como uma diversãozinha fugaz, descompromissada e assumidamente bem mentirosa. O longa não possui a menor pretensão de ser levado a sério pela crítica especializada, operando como um passatempo de luxo feito sob medida para quem busca ação ininterrupta, pancadaria espacial e um herói canastrão. É o tipo de ficção científica rasteira que entrega exatamente o que promete, ideal para desligar o cérebro por noventa minutos.
Extras: Comentários com o Diretor e Atores; Especial “Uma Visão do Futuro – Design de Produção e Efeitos Especiais”.

























