Operação Vingança (The Amateur, 2025) de James Hawes
Em 1981, o diretor Charles Jarrott levou às telas The Amateur (lançado no Brasil também com o título de Operação Vingança), um thriller de espionagem baseado no romance homônimo de Robert Littell publicado naquele mesmo ano. Quase quatro décadas depois, Hollywood decidiu revisitar a obra literária com uma nova roupagem em (novamente) Operação Vingança (The Amateur, 2025). Desta vez, a premissa do analista de sistemas da CIA que decide ir a campo para caçar os terroristas responsáveis pela morte de sua esposa ganha o rosto de Rami Malek. Porém, o que deveria ser uma jornada eletrizante de retaliação e superação transforma-se em um exercício de apatia cinematográfica.
É inegável que Rami Malek tem talento; ele provou sua capacidade de transformação ao ganhar o Oscar por sua performance como Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody (2018). No entanto, precisamos esquecer os louros do passado ao analisar este novo thriller. O que ele entrega aqui, no papel de um agente interno em busca de vingança pela morte da esposa no implacável campo da espionagem, é dramaticamente pífio. Falta ao ator o peso dramático necessário para transmitir o luto e a fúria cega de um homem comum jogado aos leões. Sua atuação fria e distante impede que compremos suas motivações.
O restante do elenco de apoio infelizmente sofre com a falta de material consistente. O veterano Laurence Fishburne (Matrix, 1999) parece fazer apenas uma presença burocrática na tela, entregando suas linhas sem nenhum tipo de envolvimento ou a imponência que costuma carregar em seus papéis. Entre os poucos respiros positivos do longa, vale o ponto para Rachel Brosnahan, que entrega uma performance sólida e ajuda, literalmente, a dar alguma sustentação à trama quando ela ameaça desabar. Jon Bernthal também aparece de forma correta, entregando um trabalho bem okay dentro do espaço limitado que recebe.
Para um thriller de vingança, o filme empalidece na incapacidade de gerar tensão. Em uma narrativa com esse mote específico, o sucesso do filme depende quase inteiramente da catarse coletiva: o público precisa se envolver emocionalmente e torcer desesperadamente pela vingança do mocinho. Sinceramente, não há conexão suficiente para isso. A direção falha em construir a empatia necessária nos minutos iniciais, tornando a perda do protagonista um mero dispositivo de roteiro sem impacto real no espectador.
Apesar de ser assinado pelo mesmo diretor do drama lacrimoso e biográfico, Uma Vida: A História de Nicholas Winton (2023), esse novo filme carece de uma base emocional forte. Pior, tenta se escorar nos momentos de coreografia e perseguição, mas falha novamente. As cenas de ação não empolgam, carecem de criatividade e parecem saídas de um manual genérico de blockbusters de espionagem. Os combates físicos e os tiroteios são burocráticos e previsíveis, falhando em transmitir a urgência de um homem que está improvisando para sobreviver em um mundo de assassinos profissionais.

A análise detalhada dos componentes de Operação Vingança revela que o roteiro e a proposta falham no básico, entregando uma estrutura narrativa burocrática que desperdiça o material de origem de Robert Littell. No campo das atuações, enquanto Rachel Brosnahan se esforça e Jon Bernthal entrega um papel correto, o protagonista de Rami Malek e a participação apática de Laurence Fishburne puxam o ritmo para baixo. Os efeitos e a direção das cenas de ação mostram-se completamente genéricos e sem impacto, o que resulta em um fator de engajamento baixíssimo para uma história que deveria transbordar urgência.
O resultado é que a versão de 2025 de Operação Vingança é uma oportunidade perdida de atualizar uma obra pitentista da literatura de espionagem para a era moderna. Ao entregar um protagonista sem carisma e sequências de combate esquecíveis, o longa falha em criar o elo mais importante do cinema de gênero: a cumplicidade com o espectador. Para um filme que carrega a palavra “vingança” no título (nacional), o resultado final morno está mais para “amador” do título original mesmo.


























