Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa (Idem, 2025) de Fernando Fraiha
Adaptar o universo lúdico e afetivo de Mauricio de Sousa para o formato live-action (com atores reais) tem se mostrado um dos maiores acertos do cinema infanto-juvenil brasileiro recente. Após o sucesso dos filmes da Turma da Mônica, a expectativa para a estreia solo do caipira mais amado do país era imensa. Felizmente, Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa não apenas cumpre o prometido, mas encanta profundamente. É uma produção plasticamente bonita, lúdica, imensamente divertida e que transborda a identidade cultural do interior do Brasil.
A grande fundação para o sucesso do longa reside na escolha cirúrgica de seu protagonista. O ator mirim Isaac Amendoim é simplesmente encantador na pele de Chico Bento. Conhecido na internet por sua espontaneidade e carisma natural no meio rural, Isaac não precisa se esforçar para convencer; ele é o Chico Bento em essência. Seus trejeitos, o sotaque caipira autêntico e o brilho no olhar conferem à produção uma verdade rara em produções do gênero, estabelecendo uma conexão instantânea e calorosa com o espectador de qualquer idade.
A trama se passa na pacata e vibrante Vila Abobrinha, onde Chico Bento vive suas aventuras cotidianas descalço e em meio à natureza. O cerne da narrativa se desenvolve quando a icônica “goiabeira maravilhosa” do rabugento Nhô Lau (vivido por Luis Lobianco) corre um perigo sem precedentes. O ganancioso coronel da região, dotado de planos de expansão industrial modernos e predatórios, decide ameaçar a existência da árvore frutífera para dar lugar a construções de concreto.

Diante desse desastre ambiental e afetivo, Chico Bento precisa unir forças com seus melhores amigos — incluindo Zé Lelé, Rosinha, Hiro e Zeca — para bolar um plano mirabolante e salvar a goiabeira. A jornada deixa de ser uma mera travessura de criança para se tornar uma belíssima e divertida cruzada em defesa das memórias, da infância livre e da preservação da natureza.
Para além da atuação memorável de Isaac, o filme brilha por carregar um elenco de apoio inspirado. O núcleo infantil replica perfeitamente a dinâmica de cumplicidade que ditava o tom dos gibis, enquanto os adultos abraçam o tom caricato de forma brilhante, equilibrando a comédia e o drama familiar sem soar artificial. A direção de arte faz um trabalho primoroso: as cores da Vila Abobrinha parecem saltar das páginas texturizadas de Mauricio de Sousa direto para a tela, criando uma atmosfera nostálgica de “tarde de sol na infância” que serve como um abraço no público.
Ao equilibrar de forma magistral a comédia física e inocente com uma mensagem ecológica e comunitária urgente, Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa atinge o patamar de um clássico instantâneo do cinema nacional. Trata-se de uma obra que beira a perfeição dentro de sua proposta, sendo o tipo de filme ideal para ver, rever e se emocionar em família.
Dirigido pelo cineasta Fernando Fraiha, o roteiro do live-action nacional foi escrito a seis mãos por Elena Altheman, Fernando Fraiha e Raul Chequer, com colaboração direta do criador da obra, Mauricio de Sousa


























