Texto e experiência por Moésio Donato Filho, condidado do Clube Cinema

De tempos em tempos me vem umas ideias meio malucas na cabeça e uma vontade inacreditável de maratonar alguma Saga de filmes. E por mais insano que possa parecer, resolvi assistir todos os filmes da saga Resident Evil (os live action da “linha principal”) em seguida. Será se eu fiz bem?
Vamos listar os filmes da saga Resident Evil nos cinemas, em ordem de lançamento e cronologia:
Resident Evil: O Hóspede Maldito (2002), que apresentou a protagonista Alice lutando contra o T-Virus na Colmeia, seguido por Resident Evil 2: Apocalipse (2004), onde a infecção se espalha pelas ruas de Raccoon City. A história continuou com Resident Evil 3: A Extinção (2007), que transformou o mundo em um deserto pós-apocalíptico, e Resident Evil 4: Recomeço (2010), o primeiro da franquia a ser lançado em 3D. A saga seguiu com Resident Evil 5: Retribuição (2012), trazendo de volta vários personagens clássicos dos jogos, e chegou ao fim da fase original com Resident Evil 6: O Capítulo Final (2016).
Resident Evil – O Hóspede Maldito (2002): O primeiro filme, o tal do “O Hóspede Maldito” eu já havia assistido no lançamento, há mais de 20 anos e como “fã” nem tão FÃ assim dos jogos, me assustei quando percebi que somente a “ideia” foi aproveitada e que muito seria recriado.
A personagem principal, Alice, já era bem insossa nessa época e nem mesmo os olhos verdes da Milla Jovovich conseguiam desviar a atenção da completa falta de carisma e das acrobacias ridiculamente coreografadas. Talvez a única cena realmente interessante do filme seja o corredor dos lasers (que 20 anos depois envelheceu MUITO MAL). A história? E tem? Quando o filme parece que finalmente engrena, fim. Aleluia, pra mim. Nota: 4/10.
Apocalipse (Resident Evil 2: Apocalipse, 2004) já segue mais na frente, com uma história “fresca”, mas aparentemente ambientada no “Resident Evil 3”, não só pela presença do vilão do jogo (Nemesis) e do personagem Carlos Oliveira (é brasileiro, será?), mas também pela história na cidade já devastada (e fora do clima de tensão que o segundo jogo da franquia carregava, dentro, na maior parte do tempo, da delegacia de polícia).
O mesmo blábláblá de sempre, com uma tensão enche linguiça e agora o surgimento de mais criaturas do universo dos jogos. Vale lembrar que apesar de utilizarem alguns personagens e “familiares” presentes nos jogos, pouco se usa da história. Já era de se esperar numa época em que os filmes baseados em games geralmente sofriam de “liberdade artística e poética” para se apropriarem da ideia e descartar o restante. Um 3/10 é bem justo.

Resident Evil 3: A Extinção (2007): Ao final do segundo capítulo temos uma Alice já “militarizada”, ciente de que é um experimento da corporação Umbrella. Curiosamente, é um dos filmes que achei mais bacana, com a estética à lá Mad Max, mas que tem ZERO influência nos jogos. Aqui, nossa querida protagonista já é absurdamente forte. E veloz. E ágil. E tudo o que poderia ser.
Vou pular toda a história (que se resume a tiros no deserto, explosões em Las Vegas e até uma “impressionante” luta contra, pasmem, um cientista que injetou o T-Virus nele mesmo) e partir pro final: ela descobre um laboratório repleto de “Alices”. Antes que eu me esqueça, a nota, 5/10.
Resident Evil 4: Recomeço (2010): E vamos pro próximo da lista: RECOMEÇO! Um bom filme pra quem tem tempo pra perder. Muitas Alices invadindo a sede da poderosa corporação. É Alice atirando, Alice pulando, Alice esfaqueando, Alice quebrando pescoço, Alice morrendo, Alice, Alice, Alice. Chega! E no mesmo início, mesmo com o Wesker (ele mesmo, o vilão do primeiro jogo da série) injetando um “antidoto” e neutralizando os poderes dela, juntos caem com um avião e, adivinhem: ela sobrevive. A uma queda de avião. Sem poderes. Puro suco de Hollywood!
Ah.. e ela reencontra a Claire Redfield. Ela mesma, a dos outros filmes e dos jogos, só que sem memórias. E seguem juntas. Por que? Por que sim. Com um visual patético e uma história mais infame ainda, culminam encontrando outros sobreviventes e “voando” para Arcadia, supostamente um local “isolado”, livre de infectados (tava na cara que era armadilha, mas, ok). No final, “vitória!” e surpresa. Nota do Recomeço? 2/10.
Resident Evil 5: Retribuição (2012): Prontos pra mais um? RETRIBUIÇÃO é pra continuar DIRETO, sem rodeios! Só uma curiosidade: foi o primeiro filme totalmente em “3D” da saga.
Esse aqui é um deleite para os “fãs”: Leon S. Kennedy, Ada Wong e Barry Burton! Caramba! Excelente! Mas não. Vamos lá… no enredo mais sem pé nem cabeça da franquia (se é que era possível, né?), a Umbrella criou simulações dos próprios “massacres”. Pra quê? Para testar situações de emergência (pra quê né? Não tem mais quase nenhum ser humano vivo.. hahaha). A chamada Rainha Vermelha, a mesma do primeiro filme, é quem comanda tudo! E mesmo assim ainda tem mais humanidade que muita gente (talvez uma versão “reformulada” da Skynet?).
O filme se resume na pretensa fuga pelos corredores, esgotos, bases submarinas e tudo o mais que a Umbrella pode ofertar. Tudo isso com muitos monstros, soldados, clones e todo o tipo de maluquice que o “gênio”, o diretor Paul W.S. Anderson conseguiu criar. No final? Mais um gap pro próximo filme (e que FELIZMENTE era o último). Nota dó. Opa, 1/10.

Resident Evil 6: O Capítulo Final, 2016: FINALMENTE chegamos ao CAPÍTULO FINAL (2016). Literalmente. E com nossa queridíssima Alice sozinha. Sozinha? É.. temporariamente sozinha. Vou avançar pra gente não perder tempo: monstro voador, deserto, rainha vermelha diz que ela precisa voltar a Raccoon City, moto bmw, explosões, Dr. Isaacs vivo, Wesker, tanques blindados, exército de zumbis, reencontro com Claire (de novo??? É, de novo!), sede da Umbrella, clone do clone do clone do clone do Isaacs, clone do clone da Alice, rainha vermelha é a Alice, Alice é a Alice, clone é um clone da Alice, antivirus no ar, Alice sobrevive.
Entendeu alguma coisa? Pois é, acho que era isso que o Paul W.S. Anderson queria. E assim Deus me livrou de mais uma saga que o meu TDAH me fez assistir durante dois dias inteiros. A nota do último? Acho que nem consigo pensar, mas talvez um 2/10. E se lançarem outro, por favor, não me avisem. Minha sanidade agradece!
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Contrariando o nosso amigo Moésio, o novo Resident Evil (2026), agora dirigido por Zach Cregger (A Hora do Mal, 2025) que implementou um recomeço total para a saga, já está em cartaz nos cinemas.























