
Não Aceitamos Devoluções (No se Aceptan Devoluciones/Instructions not Included, 2013) de Eugenio Derbez
O filme: mulherengo convicto, a rotina do mexicano Valentín (Eugenio Derbez) é a de colecionar noites de amor. A americana Julie (Jessica Lindsey) toca sua campainha com um bebê a tiracolo dizendo ser filha fruto do relacionamento com ele no passado. Após a fuga de Julie, Valentín decide ir até os EUA para restabelecer o contato com a antiga namorada. Uma vez em Los Angeles, por uma ação inconsequente, Valentín torna-se um dublê em Hollywood.
Melhores momentos: fluente no inglês e espanhol, funcionando assim como uma tradutora para o pai, todas as cenas em que aparecem a pequena Maggie funcionam muito bem; as filmagens de filmes hollywoodianos são bem divertidas, e o teste de elenco para uma fita, que o ator acredita estar em “Gravidade” é incrível.
Pontos fracos: o início que bate muito na tecla do humor fácil/piadas envolvendo bebês e adultos despreparados; e a intenção dramática de envolver um julgamento.
Análise crítica
Dirigido e estrelado por Eugenio Derbez, Não Aceitamos Devoluções (2013) é um verdadeiro marco do cinema mexicano contemporâneo, capaz de equilibrar com maestria a comédia escrachada e o drama familiar profundo. A trama acompanha Valentín, um solteirão convicto de Acapulco cuja vida vira completamente de cabeça para baixo quando um antigo romance do passado lhe deixa uma bebê, Maggie.
O grande mérito do filme reside na evolução genuína do protagonista. Forçado a amadurecer, Valentín muda-se para Los Angeles e torna-se dublê de ação — uma metáfora brilhante para os riscos reais que ele agora assume diariamente como pai solo. A química impecável entre Derbez e a jovem Loreto Peralta é a alma da narrativa, construindo uma relação repleta de cores, imaginação e cumplicidade absoluta. No entanto, por trás das piadas visuais e do tom leve dos dois primeiros atos, o roteiro esconde uma densa complexidade emocional que desafia o público. A chegada da mãe biológica em busca da guarda introduz um doloroso conflito moral, questionando o significado da paternidade.
É no terço final que o longa realmente se consagra. O desfecho inesperado afasta-se do melodrama clichê para entregar uma lição brutal, mas bela, sobre a impermanência e a aceitação da perda. Longe de ser apenas entretenimento comercial, a obra transforma o riso em uma poderosa ferramenta de cura, provando que o amor verdadeiro não impõe condições — e que a vida não aceita devoluções. É um retrato comovente, divertido e inesquecível sobre o que realmente nos move neste mundo.
O que pode parecer inicialmente uma espécia de Três Solteirões e o Bebê (1987), reduzido a uma pessoa, e com piadas com tudo que é relacionado à bebês e adultos despreparados, se transforma numa comédia dramática agradável. Além disso, apresenta a vantagem de fazer piada com e sobre os bastidores do cinema. E a garotinha Maggie (Loreto Peralta) é uma graça.
Na prateleira da sua casa: com um final surpreendente, a fita tem altíssimas chances de conquistar o espectador das mais diferentes faixas etárias.


























