Sem Destino… (Generation Um…, 2012) de Mark Mann
No vasto e muitas vezes incompreensível mercado do cinema independente norte-americano, existem obras que falham por excesso de ambição artística e outras que simplesmente desafiam a lógica elementar da indústria audiovisual.
O espectador mais atento fica genuinamente sem entender como um projeto como Sem Destino… (Generation Um…, 2012), escrito e dirigido pelo estreante Mark Mann, conseguiu a proeza de angariar fundos, sair do papel e se concretizar em uma película comercial. E muito pior do que a existência física da fita é testemunhar que, figuras como o carismático Keanu Reeves estejam envolvidos até o pescoço com um material de tamanha precariedade dramática, manchando uma filmografia que abriga ícones da cultura pop como Matrix (1999); Velocidade Máxima (1994); Advogado do Diabo (1997); e a franquia John Wick.
O resumo básico e definitivo do filme é traduzido perfeitamente por seu próprio título nacional: uma jornada completamente sem destino. Contudo, sendo bastante honesto com a experiência de assistir a essa produção, caberia muito bem um batismo alternativo e mais condizente com a realidade da projeção: “Sem Sentido”. Acompanhe a estrutura caótica da narrativa para compreender o tamanho do desastre. No primeiro terço do longa, o roteiro se limita a arrastar Keanu Reeves e suas duas amigas por Nova York, bebendo de bar em bar enquanto disparam diálogos pavorosos e falam bobagens inacreditáveis. Se o espectador ainda conseguir reunir forças para passar por esse teste de paciência, irá testemunhar em tela um dos flash mobs mais vergonhosos, artificiais e constrangedores que já existiram na história recente do cinema de rua.
Após essa sequência de eventos desconexos, o personagem de Reeves decide furtar uma câmera de vídeo digital de uma produtora. A partir desse ato de vandalismo gratuito, o diretor estreante Mark Mann tenta emular uma estética de documentário verité, mas falha miseravelmente. Com o equipamento em mãos, tudo o que acontece na tela se resume a depoimentos confessionais vazios e superficiais de um trio de protagonistas completamente… Vazio! São jovens mimados discutindo traumas banais de forma pretensiosa.
O único e milagroso “senão” da estrutura do filme ocorre após uma orgia programada em uma despedida de solteiro bizarra, momento em que o vazio existencial daquelas figuras parece finalmente ensaiar algum sentido dramático tardio. Mas para chegar até lá, o espectador é obrigado a atravessar um drama indie completamente sem futuro, sem ritmo e desprovido de qualquer esmero técnico na fotografia ou na condução de elenco.
Título repetido
Parece que, mesmo assistindo no conforto da sua casa através do controle remoto, a obra se torna uma colossal e irritante perda de tempo para o espectador que estava simplesmente procurando algo diferente para assistir no fim de semana. Trata-se de uma enganação pura e rasteira, que comete ainda a audácia imperdoável de se apropriar do título nacional de um dos maiores e mais influentes clássicos do cinema americano da contracultura Sem Destino – Easy Rider (1969), de Dennis Hopper. Esse novo “Sem Destino…” é o puro suco do amadorismo disfarçado de arte conceitual; um lixo eletrônico cinematográfico que merece o ostracismo definitivo.
O DVD disponibilizado não possui extras.


























