Estranha Obsessão (The Woman in the Fifth, 2011) de Pawel Pawlikowski
Lançado no Brasil com o título incrivelmente genérico de Estranha Obsessão (The Woman in the Fifth, 2011), o longa-metragem dirigido por Pawel Pawlikowski se revela um verdadeiro exercício de frustração disfarçado de cinema de arte. Embora tente se vender como um suspense psicológico enigmático e refinado, o resultado final é uma obra pretensiosa que caminha em círculos e adentra um beco sem saída narrativo, cujo desfecho bizarro vai deixar muita gente perdida no limbo do tédio e da total incompreensão.
A trama acompanha Tom Ricks (Ethan Hawke), um escritor fracassado e mentalmente instável que desembarca em Paris na tentativa desesperada de se reaproximar da filha pequena. Barrado por uma ordem restritiva judicial que o impede de chegar perto da criança e rejeitado pela ex-esposa, ele vê sua dignidade ruir rapidamente. Para piorar o cenário implausível, Tom é assaltado dentro de um ônibus, perde todos os seus pertences e acaba se abrigando em um cortiço decadente nos subúrbios parisienses, gerenciado por um mafioso perigoso. O roteiro, buscando empilhar absurdos pseudo-intelectuais, faz com que a jovem esposa do proprietário do local se jogue agressivamente para cima dele, ao mesmo tempo em que uma misteriosa e sofisticada femme fatale (Kristin Scott Thomas) surge do nada em sua vida para deixá-lo ainda mais perdido.

O maior e mais gritante defeito da produção reside na absoluta ausência de química entre os atores em cena, o que sabota qualquer fiapo de credibilidade que a história pudesse ter. O envolvimento entre Ethan Hawke e Kristin Scott Thomas é de uma frieza constrangedora; em vez de exalar o magnetismo sensual e o perigo iminente típicos de um filme noir, as interações entre os dois parecem leituras de roteiro mecânicas e desprovidas de qualquer alma. Não há faísca, mistério ou tensão palpável no olhar dos intérpretes. Hawke atua no piloto automático do desespero silencioso, enquanto Scott Thomas, apesar de seu talento inegável, é desperdiçada em um papel que confunde sofisticação com pura apatia. Essa desconexão crônica estende-se também aos flertes artificiais com as outras mulheres do cortiço, esvaziando o drama de qualquer urgência psicológica.
A narrativa segue tateando no escuro de forma irritante, arrastando o espectador por uma sucessão de delírios e metáforas baratas sobre a solidão e a criação artística. Longe de instigar ou prender a atenção, o ritmo sonolento e as pontas soltas da direção de Pawlikowski apenas afastam o público. Estranha Obsessão falha miseravelmente como suspense e como drama, tornando-se uma experiência cinematográfica frouxa, esquecível e profundamente pretensiosa na prateleira de casa.
O DVD disponibilizado para análise não possui extras.


























