O Legado Bourne (The Bourne Legacy, 2012) de Tony Gilroy
O personagem e a história original do agente Jason Bourne nasceu dos livros de Robert Ludlum e já foi protagonista de um mini-série de TV (inglesa) em 1988, mas estourou mesmo quando migrou para o cinema em 2002, com A Identidade Bourne. Dirigido por Doug Liman e estrelado por Matt Damon, foi um sucesso de bilheteria e de instigante valor artístico.
Mas quando o diretor Paul Greengrass assumiu sua continuação, A Supremacia Bourne (2004), num mesmo período da constatado pior safra de 007, o estilo realista do agente Bourne virou referência nos filmes de ação e espionagem. A bilheteria explodiu e o resultado foi ainda melhor como cinema, como suas incontáveis seqüências de ação que primam pelos cortes rápidos e direção fulminante.
E, fazendo uma conexão imediata com o capítulo anterior, O Ultimato Bourne (2007), tem sequências de ação ainda mais extraordinárias, com destaque para a perseguição de carros em NY e a seqüência em que Bourne pula de um prédio para o outro, culminando com um quebra-pau sensacional. Não, não é apenas mais um filme de ação, é um filmaço substancial de conteúdo e de adjetivos, com força suficiente para ser eternizado, sem exagero, como um dos melhores filmes de ação de todos os tempos.
E chegamos ao novo O Legado Bourne (The Bourne Legacy, 2012). Numa trama que se passa paralelamente aos fatos d´O Ultimato Bourne (boa sacada, mantém o interesse acesso também pelo outro personagem, mesmo que ele não esteja nessa fita) e traz Aaron Cross (Jeremy Renner, firme e crível) como um novo agente preparado pelo projeto experimental do governo americano comandado por Eric Byer (Edward Norton, frio e calculista). É algo que vai além do projeto Bourne, ou seja, o tal Legado Bourne.

A abordagem é, primeiro explicar o novo programa do governo, e segundo empreender uma fuga pela busca de respostas, com o agente Cross levando a tiracolo a Dra. Martha Shearing (Rachel Weisz, perfeita num desespero só), uma das responsáveis pelas pesquisas e administração das drogas que controlariam as ações dos agentes.
O resultado? Um novo começo digno, bem produzido, comandado pelo então roteirista dos filmes anteriores, Tony Gilroy, em seu terceiro filme como diretor. O mundo de Bourne permanece ali o tom é crível, os personagens de outros filmes dão o ar da graça para compor a história e o clima da tensão (e alguma ação) existe. Sim, claro que ainda somos órfãs das cenas de ação tensas e meia dos anteriores, mas a semente foi bem plantada e as possibilidades de um quinto filme estão escancaradas… E que Jason Bourne faz falta, ah faz.
INFORMAÇÕES ESPECIAIS
Tony Gilroy escreveu e dirigiu Duplicidade (2009), indicado ao Oscar (roteiro e direção) em Conduta de Risco (2007). Roteirizou Eclipse Total (1995), O Advogado do Diabo (1997), Intrigas de Estado (2009) e a trilogia A Identidade Bourne (2002), A Supremacia Bourne (2004) e O Ultimato Bourne (2007);

























