
“Star Wars: O Mandaloriano e Grogu” (Star Wars – The Mandalorian and Grogu, 2026) de Jon Fraveau
Como alguém que cresceu acompanhando a saga de Star Wars desde os anos 80 — primeiro nas fitas VHS, depois nas sessões de TV aberta, nos DVDs e, mais tarde, nos relançamentos e continuações nos cinemas — sempre mantive uma relação afetiva muito forte com aquele universo. Revendo os filmes incontáveis vezes ao longo da vida, acabei transformando a franquia em uma espécie de companhia permanente, dessas que atravessam gerações e seguem despertando encanto.
Curiosamente, esse fascínio jamais se estendeu às inúmeras séries derivadas ao longo dos anos. Nunca tive interesse em acompanhar cronologias paralelas, conexões narrativas ou expansões televisivas do cânone de Star Wars. Enquanto os filmes sempre pareceram eventos cinematográficos indispensáveis, as séries permanecem como um território inexistente.
É justamente nesse “meio do caminho” que surge “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu” (2026): um filme derivado de uma série derivada de Star Wars (a série “O Mandaloriano”). Não tem como ser mais genérico que isso.
E talvez esteja aí o principal desafio da produção — encontrar equilíbrio entre agradar aos fãs já familiarizados com aquele universo televisivo e, ao mesmo tempo, acolher espectadores que, como eu, chegam completamente alheios desse universo paralelo.

O resultado é uma aventura assumidamente familiar, leve e confortável demais. Tudo acontece sob uma atmosfera permanentemente segura, onde nunca parece existir um risco verdadeiro para os protagonistas. Falta a sensação de perigo iminente, aquela impressão de que algo realmente pode dar errado. O roteiro é extremamente previsível, sem grandes surpresas emocionais ou dramáticas.
O filme abraça sem vergonha a simplicidade de uma aventura despretensiosa, quase infantil em alguns momentos, apostando na “fofura” de Grogu (o tal baby Yoda) para deixar as coisas, ora pra, mais “fofas”.
Mas para quem cresceu amando a franquia, isso não é suficiente. E para mim, como experiência cinematográfica, é tão previsível quanto desinteressante.























