Tron – O Legado (Tron: Legacy, 2010) de Joseph Kosinski
Com a proximidade da aguardada estreia do terceiro capítulo da franquia nos cinemas (Tron: Ares – Outubro de 2025), revisitar Tron: O Legado (Tron: Legacy, 2010) torna-se um exercício cinematográfico indispensável.
Dirigido de forma brilhante pelo então jovem Joseph Kosinski (consagrado por Top Gun – Maverick, 2022), o longa-metragem assumiu a ingrata missão de dar continuidade ao ousado projeto de 1982 da Disney. Naquela época, o filme original (Tron – Uma Odisseia Eletrônica) apresentou a história de um gênio da informática que ficava preso em um ambiente virtual criado por ele mesmo.
Muito à frente de seu tempo, aquela produção sofreu com estouros de orçamento e uma bilheteria abaixo do esperado, embora tenha se tornado um clássico cult com o passar dos anos. Quase três décadas depois, esta sequência finalmente faz jus às ideias visuais do conceito original, entregando todas as cores, luzes e efeitos que a tecnologia dos anos 1980 não permitia alcançar.
Na trama, Jeff Bridges retorna como Kevin Flynn, o lendário criador do mundo de Tron que desapareceu misteriosamente na fronteira digital após fazer sua empresa conquistar o mundo dos games e programas. Anos mais tarde, cabe ao seu filho rebelde, Sam (Garrett Hedlund), retornar ao antigo escritório abandonado do pai. Ao acionar os velhos sistemas, o jovem acaba sendo transportado para o interior desse universo cibernético em busca da verdade. O roteiro pontua esse início de jornada com um sentimento imediato de nostalgia: o momento em que Sam liga as luzes do escritório repleto de fliperamas e a icônica canção “Sweet Dreams” começa a tocar funciona como um prelúdio perfeito para a imersão que está por vir.

Quando a narrativa finalmente adentra o mundo virtual de Tron, o público é arrastado junto em uma fantástica conjunção de neons, linhas frias e atmosfera futurista. O uso do efeito tridimensional é um dos grandes trunfos da direção de Kosinski, pois abdica dos sustos fáceis para apostar na profundidade visual, gerando um resultado lúdico e altamente imersivo. A fantasia ganha vida em uma sequência ininterrupta de ação e orgia visual que pulsa até a metade do longa, destacando-se a arena de jogos e a clássica batalha das motos de luz.
A obra também brilha na construção de suas homenagens e na computação gráfica. O rejuvenescimento digital de Jeff Bridges para criar o vilão Clu é um trabalho espetacular de efeitos muito especiais, que justificou a merecida indicação da fita ao Oscar de Efeitos Visuais. É justamente Clu quem protagoniza uma das melhores sacadas do texto ao dizer para Sam: “I’m not your father” (Eu não sou seu pai), uma clara e divertida reverência à reviravolta de Star Wars. O reencontro subsequente entre Sam e o verdadeiro Kevin Flynn traz uma carga emocional legítima, costurando com uma explicação básica a mitologia que une o passado e o presente da saga.
Apesar de a narrativa apresentar como ponto fraco uma óbvia repetição da estrutura da história do primeiro filme, o saldo geral é extremamente positivo. Tron: O Legado abre espaço para empolgantes batalhas aéreas e um denso confronto filosófico entre criador e criatura. Para coroar a experiência, a lendária dupla Daft Punk faz uma ponta genial discotecando na tela a sua própria e histórica trilha sonora original. Divertido, esteticamente impecável e com essência de videogame, é um filme bacana que merece lugar de destaque na prateleira de casa enquanto aguardamos o próximo nível do jogo.
Extras:
Daft Punk – “Derezeed”


























