O Grande Ano (The Big Year, 2011) de David Frankel
A comédia hollywoodiana frequentemente aposta na excentricidade de subculturas urbanas para extrair o seu humor, transformando nichos específicos em arenas de competição e obsessão humana. Nessa ótica peculiar que se constrói O Grande Ano (The Big Year, 2011), longa-metragem comandado pelo diretor David Frankel. O roteiro mergulha no universo competitivo de um trio de entusiastas da observação de pássaros que cruzam os Estados Unidos em uma maratona frenética. O objetivo deles é ambicioso: tentar bater o recorde histórico de 732 aves catalogadas no período de um ano civil, enquanto o atual detentor da marca faz de tudo para proteger o seu posto.
A condução do projeto está nas mãos experientes de Frankel, um cineasta que, mesmo tendo construído grande parte de sua carreira na televisão, possui no currículo sucessos cinematográficos em Hollywood, incluindo dois grandes blockbusters cômicos de imenso apelo popular, como a adaptação literária de O Diabo Veste Prada (2006) e o lacrimoso Marley & Eu (2008). Contudo, em vez de apostar no melodrama ou no deboche escrachado, o diretor opta por uma abordagem consideravelmente mais suave e contemplativa.
Sua aposta maior nessa nova produção reside, inegavelmente, na força e no carisma de seu trio de comediantes principais. Cada um opera dentro de suas personas mais conhecidas do público.
Jack Black (Escola de Rock, 2003) interpreta Brad, um sujeito sustentado pelos pais que despeja sua ansiedade na busca pelos espécimes, entregando o seu habitual e divertido exagero físico. Steve Martin (O Pai da Noiva, 1991) encarna Stu, um rico homem de negócios que enfrenta uma crise existencial de meia-idade ao se aposentar, equilibrando o filme com as suas sutilezas dramáticas e elegância cômica. E Owen Wilson (Penetras Bons de Bico, 2005) defende o papel de Kenny, o atual recordista arrogante, um homem cuja vida e casamento desmoronam devido à sua obsessão cara de pau em manter o seu nome no topo do ranking.
Será que um roteiro focado em ornitologia competitiva consegue ser engraçado? Em alguns momentos pontuais, sim. A química entre os três bons comediantes garante o interesse da jornada. No entanto, o filme passa longe de fazer o espectador gargalhar, o que seria o esperado de uma produção que reúne um trio de carisma e que já provou garantir boas risadas.

Para tentar fazer funcionar essa história de ritmo pacato, a produção recrutou um enorme e impressionante elenco de apoio, que inclui nomes do peso em Hollyood, como Dianne Wiest, Brian Dennehy, Rosamund Pike, Kevin Pollak, Anthony Anderson, Anjelica Huston, Jim Parsons, Steven Weber, Tim Blake Nelson e Rashida Jones. Infelizmente, essa constelação de talentos é subutilizada pelo roteiro, funcionando mais como aparições decorativas do que como engrenagens cômicas reais.
No final das contas, o tom geral da fita assemelha-se a um documentário da National Geographic sobre aves salpicado com piadas leves, configurando-se como uma grande viagem turística feita com um sorriso constante no rosto, e só. Essa falta de impacto imediato cobrou o seu preço no mercado de exibição tradicional, onde o longa enfrentou uma carreira fraca e melancólica nas bilheterias dos cinemas.
Todavia, há obras que encontram o seu verdadeiro habitat fora das salas escuras. No conforto de casa (seja em DVD ou no streaming), desfrutado na televisão em uma tarde descompromissada, O Grande Ano talvez funcione de maneira muito mais eficaz e agradável do que na tela grande, estabelecendo-se como uma fábula inofensiva sobre amizade, amadurecimento e a beleza sutil da natureza.
DVD – Extras: Cenas excluídas; Erros de gravação; Especial ‘a grande migração’; Trailer.


























