Espelho, Espelho Meu (Mirror Mirror, 2012)
Lançado sob a direção do estilizado e quase carnavalesco Tarsem Singh, Espelho, Espelho Meu (Mirror Mirror, 2012) propõe-se a ser uma releitura de carne e osso irreverente para o clássico conto da Branca de Neve. No entanto, ao analisar a produção sob uma ótica estritamente fílmica, percebe-se que a obra se assume tão cômica, colorida e aloprada que acaba sabotando a si mesma. O resultado final na tela entrega uma narrativa extremamente boba, que grita exagero em sua cenografia e transborda em uma breguice visual que cansa os olhos do espectador mais exigente, tornando-se um produto esteticamente questionável na prateleira de casa.
A icônica Rainha Má e bruxa malvada da história é interpretada por Julia Roberts. Embora a atriz ostente o seu carisma habitual e tente carregar a produção nas costas, fica a nítida impressão de que ela está se divertindo nos bastidores muito mais do que qualquer outra pessoa envolvida no projeto — inclusive mais até do que o próprio público, que assiste passivamente a um espetáculo de excessos afetados. O roteiro patina no tom humorístico: embora algumas poucas piadas e situações pontuais consigam funcionar e arrancar algum sorriso tímido, a esmagadora maioria delas falha miseravelmente, naufragando em diálogos infantis e resoluções bobas.

Essa falta de estofo dramático e cômico se estende ao núcleo dos sete anões, que surgem na tela como figuras chatinhas demais, desprovidas da profundidade ou do humor genuíno que justificaria o tempo de tela que possuem. No elenco de apoio, o sempre ótimo Nathan Lane faz genuinamente o que pode para conferir alguma dignidade ao seu papel como o serviçal-mor da realeza, enquanto Armie Hammer aposta todas as suas fichas no carisma inocente e bobalhão do Príncipe. No centro de tudo, a jovem Lily Collins entrega uma Branca de Neve infelizmente muito apagadinha, incapaz de rivalizar com a presença cênica imposta por Roberts e desprovida da força necessária para liderar uma revolução no reino.
O ápice dessa derrocada conceitual e estilística acontece no encerramento da projeção. Ao coroar a história com um número musical extravagante e uma coreografia tipicamente indiana — uma assinatura visual repetitiva e completamente deslocada de Tarsem Singh —, o longa atinge a coroação máxima do brega e meio, rompendo qualquer imersão que o espectador ainda mantivesse. Em suma, Espelho, Espelho Meu falha ao tentar equilibrar a fantasia clássica com a comédia moderninha, resultando em uma alegoria vazia e superficial que diverte muito pouco e cansa pela falta de sutileza.


























