O Negociador (Whole Lotta Sole/Stand Off, 2011) de Terry George
Lançado sob títulos conflitantes como Whole Lotta Sole e Stand Off, o filme O Negociador (2011) traz a assinatura do diretor Terry George em uma incursão pelo terreno da comédia policial de erros. Ambientada em uma pequena e pitoresca cidade da Irlanda, a produção acompanha Joe Maguire, interpretado por Brendan Fraser, um cidadão americano que gerencia uma loja de produtos usados e antiguidades locais.
A aparente calmaria do estabelecimento é brutalmente interrompida quando o lugar é invadido por Jimbo (Martin McCann), um jovem ladrão de primeira viagem que se encontra em uma situação desesperadora: sob a terrível ameaça de perder o próprio filho, ele foi obrigado a assaltar uma lavanderia para quitar dívidas de jogo acumuladas com o implacável gângster local, Mad Dog Flynn (David O’Hara).
Mantido como refém dentro de seu próprio comércio, Maguire adota uma postura empática e decide tentar ajudar o assaltante trapalhão a solucionar o imenso mal-entendido que se desenrola do lado de fora. A situação atinge proporções caóticas quando a polícia e as forças da SWAT cercam o perímetro portando a crença equivocada de que o proprietário da loja foi o responsável pelo assalto à lavanderia. O coração da narrativa passa a bater na dinâmica de negociação estabelecida com o experiente policial encarregado da crise, vivido pelo ator Colm Meaney.

Existem razões sólidas que justificam dar uma chance a essa obra. A narrativa se estabelece com eficácia ao fazer uso do clássico “efeito dominó”, uma estrutura cinematográfica onde uma única ação inicial desastrosa puxa a outra consecutivamente, fazendo com que as coisas piorem de forma progressiva. Esse ritmo ágil e absurdo consegue prender a atenção do espectador com facilidade. Além disso, o elenco entrega bons momentos de suporte: Colm Meaney demonstra mais uma vez ser um excelente e seguro ator, David O’Hara interpreta com precisão o estereótipo do mafioso casca-grossa, e Yaya DaCosta confere uma bem-vinda dose de doçura à trama no papel de Sophie.
Os melhores momentos da projeção estão ancorados em suas excentricidades culturais e figuras periféricas. É impossível não destacar a figura hilária do vovô (James Greene), um idoso carismático que nutre uma paixão genuína por dirigir carros e apreciar uma boa cerveja — uma participação formidável que, infelizmente, ganha pouco tempo de tela. Da mesma forma, a sequência que envolve o uso completamente destrambelhado de uma bazuca por parte do mafioso e de seus capangas eleva o tom satírico do roteiro. Por fim, o núcleo dos ciganos enriquece o humor com suas malandragens criativas, como esconder crianças dentro de um sofá ou camuflar documentos importantes, tudo sob o comando severo de uma mamãe cigana de boca suja e braço forte que resolve absolutamente qualquer problema na base do grito.
Como ponto fraco evidente, o longa evidencia o declínio do protagonista como figura de Hollywood; foi-se o tempo em que Brendan Fraser ostentava o status de um astro de primeira grandeza. Sua atuação aqui é meramente passável, e os espectadores mais atentos notarão o uso visível de uma peruca em sua cabeça, o que distrai em certas cenas. Em última análise, O Negociador configura-se como uma diversãozinha passageira para se entreter sem nenhum tipo de compromisso, equilibrando piadas engraçadas e momentos pontuais de tensão em um saldo final razoável.


























