Karate Kid: Lendas (Karate Kid: Legends, 2025) de Jonathan Entwistle
A Hollywood contemporânea vive em uma busca incessante por unificar universos e esticar cronologias na esperança de capturar diferentes gerações de fãs em uma única rede. Em Karate Kid: Lendas (2025), a tentativa de pavimentar o caminho para uma a tal nova “lenda” nos cinemas até parte de um ponto de partida genuinamente interessante, mesmo que nasça da união do ponto de vista mercadológico e afetivo: a ideia de unir personagens remanescentes do clássico original de 1984 — o eterno pupilo Daniel LaRusso (Ralph Macchio) — e do remake de sucesso (2010) — o pragmático mestre Sr. Han (Jackie Chan). O objetivo dramático, claro, segue a cartilha clássica da franquia: treinar um novo jovem prodígio para, novamente, superar adversidades e ganhar um torneio de artes marciais.
Para compreender a magnitude do que este novo longa-metragem tenta abraçar, é preciso olhar para a complexa e ramificada cronologia de toda a franquia. A saga começou com a trilogia original impecável focada em Daniel-san e no mestre Sr. Miyagi (Pat Morita) com Karate Kid – A Hora da Verdade (1984), Karate Kid II – A Hora da Verdade Continua (1986) e Karate Kid III – O Desafio Final (1989). Posteriormente, tentou-se uma primeira passagem de bastão em Karate Kid 4 (The Next Karate Kid, 1994), estrelado pela então garota Hilary Swank (que ganharia o Oscar de Melhor Atriz por Meninos Não Choram).
Após um longo hiato, a marca foi revitalizada com o excelente remake homônimo de 2010 (Karate Kid, apesar de ensinar o Kung Fu), transladando a ação para a China com Jaden Smith e Jackie Chan. Mais recentemente, o universo expandiu-se de forma triunfal na televisão com a aclamada série Cobra Kai (2018~2025), que resgatou a rivalidade clássica e aprofundou a mitologia da franquia ao longo de várias temporadas.
Unir o caratê de Los Angeles com o kung fu de Pequim em uma mesma linha temporal é uma das ideias mais audaciosas da cultura pop recente, mas o roteiro confunde reverência com preguiça narrativa. E o carisma do novo Karate Kid (Ben Wang), também não é dos melhores.

Karate Kid: Lendas tem a brilhante e ousada ideia de costurar todas essas narrativas dispersas sob o mesmo teto cinematográfico. Sim, no papel, o conceito é fascinante. No entanto, o resultado final na tela é profundamente decepcionante, entregando uma experiência que está muito mais para um episódio esticado de uma série de TV de baixo orçamento do que uma obra genuinamente cinematográfica que empolgue. A direção falha em conferir peso dramático aos encontros e carece de ritmo nas sequências de ação, tornando o ritmo arrastado.
O que se vê ao longo da projeção é uma espécie de “Sessão da Tarde” bastante irregular. A química que outrora víamos entre mestre e aprendiz nos filmes anteriores surge aqui fragmentada por um roteiro engessado, que parece mais preocupado em marcar caixas de fan service do que em construir uma jornada de superação orgânica. O novo jovem pupilo é engolido pelo carisma dos veteranos, e as coreografias de luta, embora corretas, carecem do coração e da tensão que faziam o público vibrar nos anos 1980. Ao fim, o filme se perde na tentativa de ser tudo para todos e entrega apenas um eco pálido das lendas que tenta homenagear.


























