
Negócios Mortais (Not Safe For Work, 2014) de Joe Johnston
No vasto panorama do cinema de suspense contemporâneo, as produções de baixo orçamento frequentemente encontram o seu maior trunfo na limitação do espaço físico. É precisamente nesta premissa minimalista que se edifica “Negócios Mortais” (Not Safe For Work, 2014), uma obra realizada por Joe Johnston que, apesar de carregar um título nacional algo genérico e comercial, esconde uma engrenagem narrativa surpreendentemente eficaz.
A intriga acompanha Tom Miller, interpretado com sobriedade por Max Minghella (A Rede Social, 2010), um jovem assistente jurídico que trabalha num imponente e burocrático escritório de advocacia. Na mesma noite em que recebe a amarga notícia da sua demissão, Tom apercebe-se da entrada misteriosa de um intruso no edifício e decide segui-lo, regressando intencionalmente ao escritório vazio. É a partir deste preciso momento que o cenário corporativo tradicional se transforma de imediato numa verdadeira e perigosa arena de sobrevivência.
O invasor revela-se um matador profissional gélido, calculista e metódico, interpretado de forma verdadeiramente magistral por JJ Feild, o qual foi secretamente contratado para executar o “trabalho sujo” em claro benefício de uma empresa rival. Enquanto tenta desesperadamente escapar pelas salas e corredores totalmente desertos daquele único andar do prédio, o protagonista acaba por descobrir informações profundamente obscuras sobre a própria empresa para a qual trabalha — segredos corporativos de tal ordem sinistros e antiéticos que colocam a vida de muitas pessoas inocentes em risco imediato. Desta forma, o que seria apenas uma noite de frustração profissional rapidamente se converte numa caçada humana implacável e claustrofóbica sob a penumbra corporativa.
Para que um filme focado quase exclusivamente num único ambiente fechado funcione em pleno com o público, a fita necessita obrigatoriamente de se apoiar em três alicerces fundamentais: um argumento coeso, um realizador hábil na condução do ritmo e um vilão de peso que imponha respeito. “Negócios Mortais” preenche estes rigorosos requisitos com imensa distinção. O argumento apresenta-se redondo, fluido e sem furos comprometedores, construindo uma tensão progressiva que dispensa grandes sobressaltos e reviravoltas mirabolantes para prender o espectador do início ao fim.
Na cadeira de realizador encontramos Joe Johnston, um veterano de Hollywood habituado a comandar superproduções massivas como “Jurassic Park III” (2001) e “Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011), ou dramas fortemente emotivos como “O Céu de Outubro” (1999). Johnston demonstra aqui uma impressionante versatilidade estética, utilizando toda a sua valiosa experiência para converter a evidente escassez de recursos e o minimalismo do cenário num ambiente asfixiante de morte iminente.
Os melhores momentos da longa-metragem concentram-se, sem surpresa, nas sequências de extrema tensão minuciosamente orquestradas pelo temível matador de aluguel. A sequência específica que envolve a queima controlada do arquivo principal e uma meticulosa e arriscada troca de cartões de identificação destaca-se como um dos picos absolutos de suspense do filme. JJ Feild, que curiosamente já havia tido uma pequena e discreta participação em “Capitão América” sob a tutela do mesmo diretor, domina por completo cada centímetro da cena com o seu fleuma aristocrático e sinistro, tornando-se a verdadeira e incontestável força motriz de todo o projeto cinematográfico. Além disso, o desfecho da narrativa, pautado por um tom propositadamente aberto e inconclusivo, coroa a experiência com uma ótima e duradoura sensação de apreensão no espectador.
Contudo, a película não está inteiramente isenta de pontos fracos estruturais. O envolvimento romântico desenhado entre Tom e Anna (vivida pela atriz Eloise Mumford, que integra o elenco de “As Cinquenta Sombras de Grey”, 2015) funciona puramente como uma marionete argumentativa barata para inflacionar artificialmente o perigo, carecendo de qualquer profundidade emocional genuína. Adicionalmente, a prestação de Christian Clemenson como o chefe do escritório, Alan Emmerich, revela-se fraca, caricata e nitidamente abaixo do tom sóbrio exigido pelo restante elenco.
Apesar destas visíveis fragilidades de percurso, o carisma magnético de Minghella como o herói comum e bondoso pelo qual torcemos prontamente, aliado ao vilão impecável e gélido construído por Feild, garante o sucesso absoluto desta fita. “Negócios Mortais” merece, sem sombra de dúvida, uma oportunidade na prateleira de qualquer cinéfilo atento, afirmando-se convictamente como um pequeno grande filme que transcende com mérito as suas amarras comerciais e orçamentais.


























